O perigo da polarização

 Vivemos tempos de intensas tensões sociais e políticas, nos quais a polarização tem produzido não apenas divisões na sociedade, mas também escândalos, ofensas e rupturas dentro do próprio povo de Deus. Como cristãos reformados, afirmamos que toda a vida está debaixo do senhorio de Cristo — inclusive nossa postura cívica. Participar da vida pública é um dever legítimo, mas nunca pode se tornar um ídolo, nem suplantar nossa identidade maior: somos cidadãos do Reino dos Céus (Fp 3.20).

A Escritura nos adverte claramente:

“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Cl 3.23).

Isso inclui nossas palavras, postagens, posicionamentos e reações. A polarização política se torna pecado quando nos leva à soberba, à falta de misericórdia, ao desprezo pelo próximo e à quebra do amor cristão. Quando rotulamos, ofendemos ou desumanizamos o outro, ainda que “em nome de uma causa”, damos mau testemunho do evangelho da graça.

O apóstolo Paulo exorta a igreja: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18), e ainda: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal” (Cl 4.6).

Nosso chamado não é apenas para manter harmonia entre os irmãos, mas também para manifestar um testemunho digno “para com os que são de fora” (1Ts 4.12). O mundo observa a Igreja, e muitas vezes julga o Cristo que pregamos pelo modo como tratamos aqueles que pensam diferente de nós.

Nesse sentido, o Código de Disciplina da Igreja Presbiteriana do Brasil, em seus artigos 4º a 6º, nos lembra que todo membro da Igreja tem o dever de:

Promover a glória de Deus em sua vida e conduta;

Evitar escândalos, erros ou faltas que desonrem o nome de Cristo e da Igreja;

Exercer vigilância espiritual, cultivando pureza de vida;

Zelar pela paz, unidade e edificação da Igreja.

Esses princípios não se suspendem em períodos eleitorais, debates públicos ou crises sociais. Pelo contrário, tornam-se ainda mais necessários. O cristão é chamado a discordar sem pecar, a argumentar sem ferir, a se posicionar sem perder o amor.

Que nossas convicções sejam firmes, mas nosso coração seja humilde; que nossa consciência seja ativa, mas nossa língua seja governada pela graça; e que, acima de tudo, “todas as coisas sejam feitas com amor” (1Co 16.14).

Assim, glorificaremos a Deus, edificaremos a Igreja e ofereceremos ao mundo um testemunho fiel do evangelho da paz.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).

Soli Deo Gloria.

Pb. ALEXANDRE MACHADO

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