terça-feira, 3 de abril de 2012

IMPRESSIONANTE!!!

IMPRESSIONANTE!!!
Há situações deveras impressionantes, que mexem com nossas emoções. Algumas delas têm o poder de deixar-nos boquiabertos. Já fiquei de queixo caído diversas vezes por várias razões. A beleza, a pompa, e, sobretudo, aquilo que é extraordinário, sem sobra de dúvida consegue gerar experiência dessa natureza. Diante de certos acontecimentos, fatos, histórias, cenas e imagens ficamos maravilhados. Bem que poderíamos citar várias situações, mas destacaremos apenas uma, a saber: o chamado divino.

O chamado divino é algo que, sem dúvida alguma, promove perplexidade nas pessoas. Geralmente ficamos extasiados com o chamado de certos indivíduos. Na verdade ficamos impressionados como determinadas pessoas foram chamadas para o ministério. Já ouvi pessoas citarem outros que tinham uma carreira promissora a qual estava em acensão profissional e econômica. Elas tinham uma vida financeira estável e eram bem-sucedidas em tudo quanto faziam. Mas, de repente, deixaram tudo para abraçar a vocação pastoral. Quando ouvi isso tive a sensação de que as palavras eram pontas de alfinete para furar-me. Ouvir aquelas palavras não foi agradável. A forma como foram pronunciadas não tinham a intenção de render louvor Àquele que tem chamado pecadores para serem pastores, mas enaltecer os “chamados elitizados”.

Todavia, quando ouvi esse “testemunho”, confesso que fiquei um tanto cabisbaixo, pois, afinal não tinha nada disso no meu currículo. Não sou filho de nobre. Aliás, sou filho de uma aventura amorosa. Nasci em uma família muito pobre. Minha família nunca teve pedigree. Cresci numa fazenda. Fiz tudo ou quase tudo que um homem do campo faz. Fui vaqueiro. Trabalhei na lavoura de café. Trabalhei com a enxada e também com a foice. Nunca tive o privilégio de estudar numa boa escola, até porque na roça não tinha. Conclui meu ensino médio fazendo supletivo. Até hoje não consegui superar as dificuldades da língua portuguesa. É provável que nesse texto você encontre alguns erros, filho gestado da deficiência dessa má formação educacional que recebi. Todavia, não vou contar as coisas terríveis que já fiz. Não é edificante nem prudente meter a mão na lata de lixo. Os meus pecados foram lançados no fundo do oceano. O Senhor Deus perdoou todos o meus pecados em Cristo Jesus, meu Salvador e Senhor. Há muitas coisas que poderia contar aqui, mas estou convencido de que esse pequeno histórico é suficiente para que você entenda o que direi logo a seguir.

Pois bem. Depois de pensar sobre aquela fala que impressionava e exaltava aquele ou aqueles que tinham uma situação econômica louvável, formação singular, o qual ou os quais pertenciam à elite, cheguei a seguinte conclusão: devo ficar impressionado não com quem foi chamado, mas com AQUELE que chama. Aquele que chama não faz acepção de pessoas. Ele chama o homem culto e o ignorante, o rico e o pobre, o negro e o branco. Com esse sim, devemos ficar maravilhados.

Examine a história da redenção. Quando examinamos a história daqueles que foram chamados ou chamadas por Deus, concluímos que sua soberania, sabedoria, poder e graça levam-nos a contemplação da sua majestade. Note, portanto, que Ele chamou Moisés, homem culto e preparado, mas também chamou o vaqueiro Amós. Amós não era filho de profeta, mas o SENHOR o chamou. Ele chamou Josué, homem corajoso e aplicado, mas também chamou o profeta Jonas, homem medroso, desobediente e egoísta. O SENHOR chamou o poliglota, Paulo de Tarso, mas também chamou os filhos de Zebedeu, João e Tiago, os quais eram pescadores. Aquele que chama, chama aquele que é considerado escória da humanidade. ELE chamou o historiador e doutor Lucas, mas também chamou o rude pescador, Pedro. AQUELE que chama, chama quem está debaixo das luzes, mas sobretudo chama os que estão no anonimato. Isso acontece tanto para a salvação quanto para o ministério.

Aliás, a minha alegria, bem como o consolo que experimentei após aquelas palavras, não vieram de outra fonte, senão da Palavra Daquele que chama. Ele disse-me por meio da Escritura: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem de muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1Co 1. 26-29). Louvo a Deus por ter chamado pessoas que abnegadamente deixaram tudo para servi-lo por intermédio do ministério. Entretanto, não fico impressionado com isso, porém, fico deveras impressionado com AQUELE que chamou-me para ser ministro do Santo Evangelho, mesmo não tendo nenhuma prerrogativa da nobreza, nem carreira profissional, nem boa formação intelectual, nem riquezas, nem justiça e nem obras. No entanto estou convicto de que fui chamado para a salvação e ministério da Palavra. Louvado seja o Senhor!

Portanto, não é aquilo que as pessoas eram ou tinham que devem impressionar-nos, mas AQUELE que chama indistintamente apesar do que tinham ou eram. Esse sim, deve levar-nos a contemplação da sua magnifica graça. Mas, essas coisas só são notadas por meio do conhecimento da Escritura, da história do povo de Deus e da quietude reflexiva. Por isso, com o que chama, faz e capacita, fiquemo-nos boquiabertos, assombrados, impressionados e maravilhados. Porque ele chama a despeito dos méritos. Ele chama a despeito de quem éramos, fazíamos ou deixamos de fazer. Deus chama pecadores para a salvação e consequentemente para ser pregadores da sua Palavra.

Um comentário:

Pb.Valério Nascimento disse...

Realmente Rev.Fábio nós homens gostamos de sistematizar todas as ações de Deus, a luz de nossa horizontalidade. Nossas percepções que estão arraigadas em nossa contemplação no espelho, desejam simplesmente colocar o grande Deus numa caixa de sapato. Desta forma podermos ordená - Lo. Com certeza esta arrogância é maligna. Como foi bem colocado em seu texto, Deus está realmente na contramão disto