quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Regeneração, a base para a santificação

Regeneração, a base para a santificação
Você já nasceu de novo? Se você ainda não é uma nova criatura, jamais buscará a santificação. O bom exemplo disso é a metáfora do urubu. Coloque diante de um urubu uma carniça e uma picanha temperada. A natureza dele o levará para a primeira opção. Claro. Sua escolha é fruto da sua natureza. Assim é com o ser humano, antes de ter o coração de pedra trocado pelo coração de carne, sua inclinação penderá para a prática de pecado, mas se já recebeu o princípio da nova vida, com certeza trilhará as veredas da justiça.
De sorte que, o novo nascimento é a mola propulsora para a santificação, visto que após a regeneração as disposições carnais são suplantadas pelas disposições espirituais, as quais são percebidas por meio da fé e de uma vida santa. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5. 17). Deus quer que evidenciemos a nossa filiação por intermédio de uma nova vida, a qual tem como insígnia a santificação. Uma pessoa regenerada desejará ardentemente e buscará a santificação. O novo nascimento é incompatível com uma vida pecaminosa. Todos aqueles que recebem nova vida em Cristo são impelidos a trilhar o caminho da santificação.
Por isso, o apóstolo Paulo enfatiza que a nossa vida é marcada por dois momentos, o antes e o agora (Cl 3. 5. 11). Antes andávamos numa via escura. Não dávamos crédito a Palavra de Deus. Na verdade, éramos inimigos de Deus. Naquele tempo amávamos as obras das trevas. Nossos olhos estavam obscurecidos pelo pecado, não conseguimos perceber a nossa própria condição. Contudo, o agora é o divisor de águas da nossa nova vida. De agora em diante, devemos mortificar a nossa natureza terrena. Não podemos nem devemos cultivar a impureza. Nossos atos, ações e atitudes devem revelar a nossa nova natureza.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

EU, UM SER IMAGINÁRIO

EU, UM SER IMAGINÁRIO

A máxima do filósofo Rene Descartes “penso, logo existo” , leva-me a seguinte conclusão: Sei que existo para mim mesmo. Com isso sou colocado numa relação de ser comigo mesmo e com tu. Isso porque o pensar vai além de uma reflexão interna, ele pode ganhar uma dimensão materializada. O outro sabe que existo por meio de alguns sentidos. Existo para eu quando me toca, quando me ouve e quando me percebe, logo, permaneço e passo a existir para você. Esse existir é concreto. Aliás, essa é uma maneira pela qual descubro por meio da concretude do meu ser que existo, assim, existo para Eu e para o tu. Assim sendo, sei onde estou e o outro sabe onde estou: aqui, ali e acolá.

Porém, mesmo sabedor acerca de meu existir enquanto pessoa, algumas vezes não existo para o outro; não que o outro não saiba nem me perceba, mas porque nem sempre sou aquilo que a imagem transmite sobre meu real existir. Embora exista para você de modo tangível, audível e ocular, não existo para ti quando me interpreta. A exegese que fazes de mim não é fiel. Na verdade, você sabe que essa não é uma experiência isolada, ou seja, só minha, porém ela também é sua. Você também é assim, incompreensível, difícil de ser entendido e interpretado.

Você já contou nos dedos da mão quantas vezes você foi você mesmo? Nem sempre nós somos nós mesmos, mas somos o que a outra pensa que somos. Às vezes não somos o que somos, mas o que projetamos ilusoriamente, o que os outros pensam que somos. Sabe por quê? Porque existe dentro de nós um ser que almeja ser o que o outro pensa que somos. Existe dentro de cada um de nós alguém que deseja muito atender o padrão erigido pelo outro. Por isso é mais fácil transparecer o estereótipo maquiado do que aquilo que realmente somos. Você não demonstra o que é, mas o que os outros querem que seja. A tentativa de demonstrar aquilo que não somos é uma insígnia dos hipócritas e fariseus. Você há de convir que dentro de cada um de nós existe um fariseu enrustido ou afoito para ser reconhecido e aplaudido.

Por essas e outras razões fica difícil decifrar o que é real daquilo que é ilusório. As pessoas imaginam que somos aquilo se apresenta, podendo ser algo falsificado ou verdadeiro. Essa apresentação pode ser falsificada ou verdadeira. Contudo, o certo é que algumas vezes somos seres imaginários para os outros. Outras vezes somos seres fantasiosos para nós mesmos. Entretanto, o mundo fictício não pode durar toda vida. O homem ilusório precisa dar lugar ao ser real ou verdadeiro. Isso é feito quando ouvimos o chamado procurador do SENHOR Deus: “Onde estás?” (Gn 3. 9). A pergunta vai além da descoberta de onde estamos. Ela quer nos tirar do esconderijo existencial. Sua função pedagógica é nos colocar diante daquele que traz sentença, mas também restauração, perdão e vestes para cobrir a nossa nudez (Gn 3. 21).

Noutra ocasião, a pergunta é feita de outro modo: “Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, ...?” (2Sm 9. 1). Alguém diz: “Ainda há um [...], aleijado de ambos os pés” (2Sm 9. 3). Nem aquele que é procurado para receber bondade se reconhece como ser, mas vê a si mesmo como um cão, e então pergunta: “Quem é teu servo, para teres olhado para um cão morto tal como eu?” (2Sm 9. 8). Porém, aquele que conhece além da moldura externa, pois olha para a essência do existir do ser, diz: “comerá pão sempre à minha mesa” (2Sm 9. 10).

Por isso, existe o OUTRO para quem sou realmente, sem farsa e sem máscaras. Para Ele o meu ser está totalmente despido. Sou visto como exatamente sou. Por Ele sou aceito como sou. Sou amado como sou. Para o OUTRO de quem sou conhecido e para quem sou conhecido, não tem receio de fazer a oração da sondagem: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139. 23, 24).

Sei existo para os outros e para mim. Mas, nem sempre existo como realmente sou. Contudo, mesmo quando isso acontece, sei que existo para o para o totalmente OUTRO. Ele fez-me entender o real sentido de meu existir. Agora, sei que existo no seu Filho Jesus Cristo. Em alguns momentos continuo sendo um ser imaginário para mim e para ti, mas não para Ele. Compreendi que existo quando O ouvi dizer: “filho, os teus pecados estão perdoados”. Fui liberto do espírito de escravidão. Não vivo mais atemorizado. Agora tenho o espírito de adoção por meio do qual existo. O espírito de adoção habilitou-me a clamar: Aba, Pai (Rm 8. 15). O Espírito falou para meu espírito que sou filho de Deus (Rm 8. 16).. Para Ele, eu não sou um ser imaginário. Nele existo antes dos cosmos serem criados! Nele existo agora na história que está sendo construída! Nele existo depois da consumação de todas as coisas, quando então, habitarei nos novos céus e nova terra! Amém. Você já existe Nele?

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A GRANDEZA DE DEUS

“Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas cousas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar” ( Is 40:26).

Eu não sou uma teológa, tampouco uma autoridade eclesiástica. Apresento-me apenas como uma filha maravilhada com a grandeza de meu Pai Celeste.Para mim, o versículo 26 de Isaías 40 é a porção das Escrituras que ilustra de modo mais sublime a majestade de nosso Deus, o Supremo Rei do Universo. Gostaria de explicar-lhe o porquê, caro leitor, com uma pergunta e um convite. Você já contemplou o céu noturno, fora da cidade? Tente visualizá-lo.

Acho que você não poderia contar quantas são as estrelas no seu campo de visão; e estou certa de que jamais poderíamos dizer seu total no Espaço. Alguém que sabe muito, realizando alguns cálculos complexos, conseguiria estimá-las em bilhões de bilhões. Mas somente Aquele que sabe todas as coisas é capaz de responder qual seu número exato, e mais: chamá-las, cada uma, pelo nome, sem confundir ou esquecer. A isso só podemos denominar de Onisciência.

A ideia de um batalhão bem contado de estrelas recrutadas uma a uma já é, por si só, magnífica demais para a nossa compreensão, amigo leitor. Contudo, uma leitura mais atenciosa do belo texto em questão revela-nos outro glorioso aspecto de Deus: a sua Onipresença. Os luminares reunidos não constituem um exército qualquer, antes, O exército celeste; e, para formá-lo, a ordem divina fez-se presente até aos recantos mais longínquos do nosso Cosmos.

E Isaías prossegue nessa perfeita definição da glória e da soberania do Senhor, expressando também a Onipotência do Deus Pai. Perceba, leitor, ao ler Isaías 40:26, que as hostes estelares somente se apresentam devido à grandeza de quem as convocou. Ora, as estrelas são corpos celestes muitas vezes maiores do que a Terra. O Sol é um exemplo das menores classes de estrelas presentes no Firmamento – e o Pai da Eternidade pode movê-los.

Esses corpos luminosos, a despeito de sua imponência, são destituídos de autonomia; eles se movimentam no Espaço Sideral impelidos pela interação entre seus campos gravitacionais. Não há volição, apenas Física. E o nosso Deus é o centro de tudo isso, é a suprema força motriz que atrai para si todos os elementos da ciranda espacial. As estrelas não vêm para Ele; Ele é que as traz. Portanto, não há, em toda a vastidão universal: algo que o Criador desconheça; lugar que sua voz não alcance; força que resista à sua vontade soberana e poderosa.

Frente a essas três verdades irrefutáveis da grandeza do SENHOR, só há uma conclusão a que podemos chegar. E ela está expressa nas palavras ditas pelo próprio Deus por intermédio de seu profeta, as quais encontram-se em Isaías 40:25. “A quem, pois, me comparareis para que lhe seja igual? – diz o Santo”

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A VERDADE PAVIMENTA O CAMINHO PARA A JUSTIÇA

A VERDADE PAVIMENTA O CAMINHO PARA A JUSTIÇA

A filosofia pluralista é uma marca da pós-modernidade. Com isso, ela agrega o relativismo e outros ismos. Cada pessoa escolhe ou tem sua própria verdade, mas todas vivem ou devem viver debaixo do mesmo “guarda-chuva” sem constranger o outro. Esse é o axioma pós-moderno. A partir de então, tudo deixa de ser absoluto. Essa fragmentação da verdade é vista na política, na ética e na religião. Ela está presente em todas as facetas da sociedade brasileira.

Contudo, com o abandono dos absolutos e sem os princípios fundamentais que norteiam à vida, a conduta, o procedimento e as ações das pessoas, a sociedade entra em colapso moral. As evidencias estão diante dos nossos olhos. Os telejornais e os demais veículos de comunicação noticiam diariamente as falcatruas na política. Elas ocorrem no governo municipal, estadual e federal. Tais práticas estão impregnadas como um ranço contagioso por toda parte da sociedade.

Com isso, a incoerência é notória entre o que se diz e o que se faz, entre o discurso e as obras. A lei é burlada em benefício próprio. O direito é torcido e a justiça sonegada. Embora todas essas práticas sejam obras das trevas, entretanto são praticas à luz do sol.

Diante disso, a situação não deve ser considerada como uma epidemia isolada que vem e passa rapidamente, mas como uma pandemia instalada por toda parte da nação brasileira. É claro que existem exceções, mas de um modo geral, a prática da maldade ocorre por todo país. Sendo assim, a povo está enfermo.

Contudo é espantoso, que mesmo diante dos fatos, a sociedade não consegue perceber os danos provocados a curto e a logo prazo, pois se encontra num estado de letargia, cujo intelecto está adormecido, cuja capacidade critica está atrofiada e cuja vida espiritual está num coma induzido profundo. Na verdade, falta o conhecimento de Deus e por conta disso, o povo está sendo destruído (Os 4. 6). A sociedade está embriagada pelo hedonismo desenfreado e enfeitiçada pelo “cântico da sereia”,

No entanto, o povo ainda não atentou para as consequências de tudo isso. Ele não tem tido a capacidade de discernir que a corrupção escancarada na política, a falta de ética social, o divorcio entre a fé verbalizada e a fé praticada, é um sintoma endêmico de uma rejeição deliberada da verdade de Deus.

Sendo assim, um dos motivos pelo qual a justiça não consegue prevalecer é que, os homens têm detido a verdade em nome da injustiça. A verdade tem sido peiada com as cordas das trevas, fruto de corações ímpios e gananciosos. Na verdade, existe uma tentativa concentrada para amordaçá-la. Essa tentativa tem alcançado êxito, pois aqueles que devem exercer o papel de legislador na criação de leis justas e mecanismos para o cumprimento das mesmas, muitas vezes tem se eximido da responsabilidade para qual foram colocados, além disso, os infratores não são punidos e tantas vezes escapam ilesos, provocando assim uma sensação de desleixo com o bem comum de todo cidadão. A impunidade é um verdadeiro descaso com a nação inteira.

Por outro lado, a igreja tem se acovardado diante da sua missão, sua responsabilidade e função profética. Ela tem assumido uma posição de expectadora. A ética é pisoteada sem nenhum pudor, os valores são invertidos e a verdade é sonegada. É por conta disso, que os representantes do povo tem se valido constantemente dos sofismas. Eles falam mentiras com cara de verdade. Iludem o povo. Criam e usam as leis em benefícios pessoais.

Portanto, a falta da verdade faz com que a injustiça e a mentira imperem, favorecendo assim, o florescimento da maldade. Quando a verdade é banida, o mal predomina. Quando a luz da verdade é apagada, o povo chama o mal de bem; o amargo de doce; as trevas de luz. Vivemos numa época em que a iniqüidade é aplaudida, porém, a verdade é vaiada. Uma recebe cântico de louvor, a outra de maldição. As pessoas dizem não à verdade, mas, em contra partida dão as boas vindas à injustiça e a mentira. Elas fecham o coração e mente para a verdade, mas abre os braços para o engano.

Entretanto, nem tudo está perdido. A verdade só é verdade porque não fica prostrada e nem pode ser detida pelos homens. Se ela tropeça, logo de apruma. A tentativa em aprisioná-la não conseguirá impedir a entrada da justiça, pois esta não pode ser confinada para sempre pelos ímpios. No entanto, enquanto isso não acontecer, a hegemonia será da injustiça.

O triunfo da verdade acontece efetivamente quando a mesma é erguida por meio da comunicação e é vivenciada pelos homens que a recebe. A verdade proferida, também deve ser vivida. A verdade que vence a iniqüidade é aquela que se materializa na história social dos homens, pois se ela for abstrata, nenhum sistema ou povo será mudado. A verdade é o caminho que pavimenta a solidificação da justiça. Ela é o instrumento por meio do qual a equidade é exercida, estabelecida e plenificada.

Portanto, a verdade e a justiça andam de mãos dadas. Elas são irmãs siamesas. A segunda é o resultado da primeira. Quando a verdade é negada, então, a justiça não será exercitada e fracassará em seu intento. Mas, se ela permanecer levantada, então a justiça penetrará por todos os seguimentos da sociedade brasileira. É tempo da igreja, que é coluna e baluarte da verdade, erguer a sua voz profética e denunciar a injustiça como fizeram os profetas. As peias que amarram a verdade só serão despedaçadas quando a igreja assumir o papel para o qual foi chamada. Que a verdade seja colocada de pé. Que a justiça encontre a porta de entrada. Que a verdade pavimente as veredas para a justiça. Que a justiça entre pelos caminhos da equidade e alcance o triunfo sobre a injustiça.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

QUARTA PARTE: O EVANGELHO QUE PAULO JAMAIS PREGARIA. E VOCÊ, PREGARIA?

QUARTA PARTE: O EVANGELHO QUE PAULO JAMAIS PREGARIA. E VOCÊ, PREGARIA?
GRAÇA IRRESISTÍVEL
Pode alguém resistir ao chamado divino? Ciro é da opinião que sim. Na verdade, ele afirma que “não existe graça irresistível”. Mais uma vez percebemos que o problema de Ciro é conceitual e interpretativo. Observe a sua argumentação: “Os calvinistas se apegam a passagens isoladas, como João 6. 37, 44 e 10. 29, para afirmar que apenas alguns eleitos são encaminhados pelo Pai a Jesus. Na verdade, tais passagens mostram, à luz do contexto, que até para aceitar a chamada para a salvação, o ser humano precisa de capacitação divina. É Deus quem concede a fé quando o pecador ouve a Palavra (Rm 10. 17); e é ele quem dá a possibilidade de arrependimento (At 11. 18). A salvação é pela graça de Deus (Ef 2. 8, 9)”. Analisemos a afirmação de Ciro à luz das Escrituras. Precisamos fazer algumas perguntas para o autor da obra: Evangelho que Paulo jamais pregaria. Primeiro, por que o homem precisa da capacitação divina para aceitar o chamado para a salvação? Segundo, se é Deus quem concede a fé salvadora ao pecador, por que você nega as demais verdades relacionadas com essa? Terceiro, já que é Deus quem concede o arrependimento para vida, por que você então, nega a doutrina da vocação eficaz? No entanto, antes de prosseguir, uma correção imediata precisa ser feita quanto ao texto de Atos 11. 18. Ciro afirma que Deus é “quem dá a possibilidade de arrependimento”, todavia, a Bíblia ensina que Deus é quem concede “o arrependimento para a vida” (At 11. 18). Existe uma diferença colossal entre o adjetivo da possibilidade e o verbo conceder. O arrependimento citado nesse texto não é uma probabilidade divina, mas uma outorga de fato e de verdade consumada pela graça de Deus.

Contudo, a fim de não sermos prolixos voltemo-nos para a questão citada no início desse artigo e trabalhemos a questão interpretativa. A compreensão equivocada sobre a antropologia bíblica, isto é, doutrina acerca do homem antes e depois da queda, assim como a ação monergistica de Deus na salvação do homem, pode e tem levado muitos intérpretes das Escrituras a um desvio doutrinário catastrófico, o qual pode afetar o entendimento sobre a pessoa de Deus e sua obra redentiva. Nesse caso, a interpretação incorreta do texto bíblico pode ser nociva e alterar o verdadeiro sentido do texto escriturístico. Isso fica evidente a partir de dois axiomas opostos, a saber: a Bíblia ensina que a salvação é uma obra da livre graça de Deus, Ciro e companhia (arminianos) ensinam que a salvação está baseada na “livre vontade” do homem, o qual é capaz de responder ou rejeitar a vontade soberana do SENHOR. O primeiro tem como fundamento o teocentrismo bíblico, o segundo tem como base o humanismo antropocêntrico. Duane Edward Spencer, um teólogo que por muitos anos foi adepto da corrente teológica arminianista, afirmou que depois de fazer um exame acurado da Escritura percebeu a incoerência entre a interpretação arminiana e o que a Bíblia ensina. Depois dessa experiência, Spencer afirma que “para o arminianismo, o homem é suficientemente poderoso para obstruir ou resistir à graça de Deus”. Uma coisa é certa, o homem depois da queda ficou impossibilitado ou incapaz de responder o chamado divino por diversas razões que destacaremos mais adiante, mas o homem em hipótese alguma pode impedir a ação efetiva da graça irresistível. Portanto, meu intelecto está convencido de que o problema do autor é tanto conceitual como interpretativo.

O que causa espanto é que Ciro tropeça numa dissertação pequena. Quando um escritor disserta sobre determinado assunto, que exige uma argumentação extensiva, é comum surgir à possibilidade de cometer alguns deslizes ou contraditar-se na argumentação. Mas, num texto de “quatro ou cinco linhas” é inadmissível tal contradição. Esse tipo problema evidencia pelo menos duas falhas: falta de conhecimento a respeito do assuntou ou método hermético equivocado. Penso que o autor da obra “Evangelho que Paulo jamais pregaria” padece de conhecimento da doutrina da graça irresistível, assim como utiliza um método hermenêutico inadequado.

Voltemo-nos ao texto do autor. Veja o que ele diz: “Na verdade, tais passagens mostram, à luz do contexto, que até para aceitar a chamada para a salvação, o ser humano precisa de capacitação divina”. Que fantástico! Ciro está certo, pois sem a capacitação divina ninguém absolutamente pode aceitar o chamado para a salvação. Por que não? Por causa do óbvio, o homem está morto nos seus delitos e pecados (Ef 2. 1, 5), o seu entendimento está obscurecido pelo pecado, isto é, os efeitos noéticos da queda afetou todas as suas faculdades (Ef 4. 18) e os olhos da sua alma foram afetados pelo deus do século (2Co 4. 4). Além disso, a condição, bem como o estado em que o homem se encontra não permite que ele volte para Deus por si mesmo. É muito oportuno citar a Escritura aqui. Veja o que dizem as Escrituras:
“Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urde engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm 3. 9-18).
Note que esse texto é uma contundente revelação do homem não salvo. Claro que o homem nessa condição jamais poderá voltar-se para o Senhor sem ser assistido pela graça e com a graça. Sendo assim, Ciro acertou, o homem precisa de fato da capacitação divina para responder ao chamado para a salvação. Agora façamo-lo as seguintes perguntas: Primeiro, que capacitação é essa? Segundo, sem essa capacitação o ser humano não pode ir a Jesus? Não acredito que Ciro saiba a que se refere essa capacitação, por conta disso deixemos a Bíblia falar sobre essa gloriosa verdade. Gostaríamos de responder a essas perguntas, mas invertendo a ordem das mesmas. Quanto a segunda pergunta, a resposta é um retumbante sim! Pois, sem a capacitação divina nenhum homem nunca, jamais ou de modo algum poderá ir a Cristo Jesus, o Salvador. Quanto à primeira, a resposta é que essa capacitação é o novo nascimento. A Bíblia ensina que os salvos da cidade de Éfeso estavam mortos, mas Deus deu vida (Ef 2. 1, 5). Ela ensina ainda que os que receberam o Senhor Jesus pela fé o fizeram porque nasceram de Deus (Jo 1. 12, 13). Essa capacitação é mais do que assistência, é uma ressurreição espiritual. A Confissão de Fé de Westminster corrobora conosco ao afirmar que: “Todos aqueles a quem Deus predestinou para a vida, e somente esses, aprouve ele, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente, por sua Palavra e por seu Espírito, daquele estado de pecado e de morte, em que estão por natureza, à graça e salvação por meio de Jesus Cristo; iluminando suas mentes espiritual e salvificamente para entenderem as coisas de Deus; removendo seus corações de pedra e dando-lhes coração de carne; removendo sua vontade e, por seu infinito poder, determinando-lhes o que é bom, e eficazmente atraindo-os a Jesus Cristo; mas de tal forma que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos por sua graça”. A definição da Confissão sobre garça irresistível é maravilhosa e precisa. Nessa definição encontramos uma vasta fundamentação bíblica cujo resultado é uma teologia saudável a qual faz jus ao todo das Escrituras.

Além disso, A Confissão de Fé de Westminster continua: “Esta vocação eficaz provém unicamente da livre e especial graça de Deus e não de coisa alguma prevista no homem; nesta vocação ele é totalmente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo, seja desse modo capacitado a responder a esta vocação e a abraçar a graça oferecida e comunicada nela”. Sendo assim, a graça irresistível é tanto um convite externo como interno. Ela é tanto um convencimento interno como uma ordem imperativa e persuasiva à vontade humana escravizada. Por essa graça, Deus tanto informe ao intelecto, como atinge ou toca a emoção e persuade a volição. Nada fica inerte no homem quando o Senhor o chama eficazmente. Na verdade, o homem não pode resistir o chamado divino.

Para exemplificar o que fora dito acima, gostaríamos de citar um caso bíblico. O exemplo é de um homem rico, maioral dos publicanos, chamado Zaqueu. Esse exemplo encontra-se no Evangelho de Jesus Cristo, conforme a narrativa do evangelista Lucas (Lc 19. 1-10). Esse homem queria ver quem era Jesus. Ele tinha uma curiosidade como muitas pessoas, mas a sua intenção e aspiração se limitava a esse campo. Nessa passagem temos um excelente exemplo da graça irresistível. Diz o texto que: “Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa” (Lc 19. 5). Você sabe que o resultado final de tudo isso foi a conversão do milionário da cidade de Jericó. Note que o verbo descer está no imperativo. Cristo não fez um pedido, porém deu uma ordem. Desce depressa, disse Jesus. Sabe o que aconteceu? “Ele desceu a toda pressa e o recebeu com alegria” (Lc 19. 6). Portanto, a conversão de Zaqueu é um exemplo concreto do que seja a graça irresistível. Somente o Deus que chama eficazmente pode colocar um escravo em liberdade e ressuscitar um morto (Jo 8. 36; Ef 2. 1, 5). Sendo assim, o leitor constatará à luz da Escritura que a graça irresistível é uma doutrina bíblica. Damos glórias a Deus pelo chamado eficaz. Esse verdade foi ensinada por Cristo, e pregada por Paulo e companhia. E você, pregará também essa verdade gloriosa da graça?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

TRADICIONALISTAS E PROGRESSISTAS: CONTRIBUIÇÕES E PERIGOS

TRADICIONALISTAS E PROGRESSISTAS: CONTRIBUIÇÕES E PERIGOS

O mundo é marcado por duas tendências ou estilos diferentes. A primeira tem como marca o conservadorismo, a segunda a inovação. Uma detém a tradição, a outra insere as novidades. Esses dois estilos são rotulados de radicais e revolucionários. Os radicais não suportam, nem estão abertos para novas possibilidades. Os tradicionalistas não dão abertura para o desenvolvimento prático e valorizam o engessamento estético. Além disso, eles são muitíssimos apegados à forma. Os revolucionários por sua vez, ignoram e quase sempre pisoteiam os fundamentos que foram fincados no passado, os quais são frutos de muito labor dos empreendedores no campo do saber. Essas duas tendências são percebidas na academia, na política, na sociedade de modo geral, na religião seja ela de qualquer natureza e na igreja. Essas divergências de posicionamentos, não são marcas exclusivas da era chamada pós-moderna, mas de vertentes que vem se perpetuando por várias gerações. Entretanto, elas são percebidas com mais clareza neste período supracitado.

O professor de inglês da Concordia University-Wisconsin, Gene Edward Veith, Jr. afirma que esses distintos estilos possuem valores diferentes. Por conta disso, eles tanto podem colaborar com o Cristianismo como podem prejudicá-lo. Por exemplo, os tradicionalistas têm um valor inestimável no que tange à tradição, pois sua função é preservar o conhecimento sistematizado e a experiência acumulados por décadas e séculos, para posteriormente transmití-lo como legado à geração futura. Contudo, precisamos acautelar-nos quanto ao passado para não mergulharmos no baú do tempo, cujo cadeado não tem chave para uma nova leitura e releitura dos fatos, nem tempos, nem luz para as mentes, a fim de promover avanço no campo do conhecimento. O passado tanto pode servir de base quanto pode ser um labirinto sem saída. O valor está no modo como o utilizamos. O filósofo Mário Sergio Cortella traz uma contribuição preciosa acerca dessa percepção ao afirmar que não devemos olhar para o passado como direção, mas como uma referência. Entretanto, tantas vezes fazemos o caminho inverso.

Por outro lado, os progressistas também contribuem de modo valioso com a questão do conhecimento, pois as descobertas e as mudanças são necessárias. No entanto, devemos tomar muito cuidado com o novo, pois muitas vezes ele quer sepultar o passado em nome do progresso ou do avanço. Para eles, o passado é como um corpo sem vida e inerte que não oferece nenhuma contribuição ou relevância para o presente. Equivocam-se os progressistas nesse ponto, porque a herança no que tange à construção do conhecimento pode servir de fundamento sólido para as novas descobertas e construções de conhecimento sapienciais, os quais são verdadeiros patrimônios da humanidade.

Enquanto os tradicionalistas exercem um papel importante como guardiões da tradição, os progressistas desempenham uma função magistral ao questionar a pirâmide do conhecimento sacralizada pelos homens e pelo tempo. Isso é bom e salutar, pois solidifica convicções, porém promove o abandono dos equívocos. Os inovadores, além de corroborar reflexivamente, eles repensam os conceitos e as situações, mas, sobretudo inserem novas ideias ao edifício construído pelos tradicionalistas, as quais provocam mudanças e tornam o legado herdado relevante para a geração atual. Gene destaca que sem a função progressista, “nós estaríamos satisfeitos com o que já sabemos, ou pensamos que sabemos, e a investigação, a curiosidade e a pesquisa cessariam”. Cortella segue nessa mesma direção. Ele oferece o seguinte conselho: “Afeste-se dos professores velhos, que acham que sabem tudo e não querem aprender, e junte-se aos idosos, com grande experiência e atualização”. Com isso, aprendemos que é extremamente possível ser uma pessoa conservadora e ao mesmo tempo inovadora.

A princípio, essas duas posições podem parecer opostas, mas de acordo com o espírito de equilíbrio e bom senso, podemos afirmar que elas se completam. Não que as tensões serão banidas entre ambas, mas irão se complementar na construção do pensamente e do conhecimento. O resumindo e usando uma linguagem metafórica, podemos dizer que: o mundo é como um veículo automobilístico que precisa tanto do freio como do acelerador. Sendo assim, é salutar que essas duas tendências sobrevivam. Se uma deixar de existir estamos fadados ao fracasso. Essas duas tendências não são perniciosas, mas colaboradoras na edificação do conhecimento, na criação de métodos relevantes, a fim aplicá-lo de forma correta e eficiente em cada geração.

Como a igreja não está isenta dessas duas vertentes, então, precisamos atentar para a contribuição de ambas. Além disso, precisamos tomar muito cuidado com os perigos abissais que elas criam, os quais são emboscadas tenebrosas. Para Gene, “Os cristãos tradicionalistas, às vezes, olham mais as realizações e instituições humanas do que dão atenção à Palavra de Deus”. Essa supervalorização é perigosa. O apego a essa tendência nos rodeia há muito tempo. Uma atitude dessa natureza coloca em risco a supremacia da Escritura Sagrada. Ela foi cometida pela liderança da igreja no período que ficou conhecido como Idade Média ou Era das Trevas, como também pelos fariseus. Os fariseus erraram quando colocaram as tradições dos anciãos acima dos mandamentos divinos. Eles confundiram interpretação com a Palavra de Deus. Um exemplo disso pode ser visto por meio do testemunho da Escritura: “Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram: por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos quando comem. Ele, porém, lhes respondeu: por que transgredis vos também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? Porque Deus ordenou: honra teu pai e tua mãe, e: quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte. Mas vós dizeis: se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: é oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim; esse jamais honrará a seu pai ou sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição. Hipocritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito dizendo: este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt 15. 1-9). Esse tipo de atitude invalida o culto. Por conta disso, Jesus censurou, condenou e rejeitou a sua adoração. Os fariseus estavam mais preocupados com a questão estética do que com a essência. Em nome da tradição invalidavam a lei divina. Portanto, o perigo de invalidar a Palavra de Deus por causa da tradição pode ser uma emboscada sutil contra os conservadores, os guardiões da tradição. Na verdade, eles precisam cuidar para não sacrificarem os mandamentos divinos por guardarem de modo irrestrito o arcabouço da tradição teológica. Em suma, é preciso ficar claro, que toda tradição teológica tem o seu valor, mas, ela não é, nem nunca será, nem jamais deve ser confundida com a infalível poderosa Palavra de Deus.

Os perigos que cercam os progressistas são de outra ordem ou natureza, mas também são sorrateiros e extremamente nocivos. Os progressistas, porém, no afã de descobrir o novo, correm o risco de pisar em areia movediça, no pântano do lamaçal, bem como correm o risco de flutuar na escuridão do vazio. É por isso, que as pessoas têm medo daquilo que é novidade, e com razão, pois quase sempre o estrago é irreparável. Na verdade, se as novidades não estiverem alicerçadas em fundamentos sólidos, podem cavar a sepultura para uma geração inteira. Uma geração desprovida de fundamentos pode ser engolida pelos movimentos esdrúxulos inflados pelas bolhas da curiosidade, movido pelo vento do emocionalismo vazio e sem informação, sem vida e carente do saber. As inovações podem fazer com que as pessoas fiquem como crianças, agitadas de um lado para o outro. Os progressistas têm um papel importante na ampliação do conhecimento, mas não podem abandonar os pilares erigidos, porque senão farão com que as pessoas sejam levadas “por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4. 14). Portanto, as novas construções na área do pensamento e do conhecimento sistematizado, são legítimas e salutares. Entretanto, elas devem ser realizadas com sobriedade, bom senso e sabedoria. O velho não pode ser abandonado por conta do novo. Contudo, o velho não deve ser preservado a ponto de abortar o surgimento daquele que está para nascer com vitalidade. Todavia, se em algum momento da história, um legado do passado sufocar ou tolher a liberdade de pensar, criar e construir, a tradição precisará reencontrar o seu caminho e redescobrir o seu verdadeiro papel.

Sendo assim, os tradicionalistas precisam entender que a Palavra de Deus não muda jamais. Ela é absoluta, porém a tradição não. A tradição, embora tenha o seu valor, entretanto, ela muda, e em alguns casos é necessário que mude e sofra alterações sempre que houver uma necessidade papável e concreta. Gene afirma que: “Insistir que a Palavra de Deus é absoluta não é insistir que todo o conhecimento seja absoluto. Pelo contrário, uma visão elevada das Escrituras assegura que o conhecimento humano, à parte da Palavra de Deus, é caído, limitado e parcial”. Por outro lado, os progressistas precisam entender que não existem novas construções sem considerar aquilo que já é conhecido. Toda tentativa fora disso pode provocar estragos terríveis, bem como gerar ruínas e crateras irreparáveis na história da humanidade, e porque não dizer da igreja. Uma conclusão óbvia, sábia, prudente e relevante buscará sempre conciliar tanto a posição conservadora quanto a inovadora. Precisamos tanto do legado da tradição como de novas lajotas no edifício do conhecimento. “Uma cultura intelectual saudável precisa conter ambos os estilos, tanto aqueles que preservam a sua tradição como os que acrescentam a ela. Para os cristãos, cada um representa um certo risco e uma certa promessa. Os cristãos com fé bíblica podem ser tanto tradicionais quanto progressistas”, afirma Gene. Portanto, um cristão bíblico e sábio, cuja cosmovisão é conduzida pelas Escrituras nunca abandonará a tradição enquanto legado teológico, mas também jamais fechará os olhos para as novas possibilidades de realizações. Cristão que pensa biblicamente é radical por possui raízes, mas também é inteligente, inovador e criativo, porque tem a mente arejada pelas Escrituras. O mundo precisa de cristão conservador, mas também precisa do cristão criativo. O cristão deve ser tradicionalista, isto é, guardião da tradição, porém deve ser também progressista, ou seja, inovador na construção do conhecimento. Pense nisso!

1VEITH JR., Gene Edward; De todo meu entendimento: pensando como cristão num mundo pós-moderno. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 59.
2 Extraído do Jornal Atribuna, terça-feira, 10 de maio de 2011.
3 VEITH JR., Gene Edward; De todo meu entendimento: pensando como cristão num mundo pós-moderno. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 59.
4 Extraído do Jornal Atribuna, terça-feira, 10 de maio de 2011.
5 VEITH JR., Gene Edward; De todo meu entendimento: pensando como cristão num mundo pós-moderno. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 61.
6 VEITH JR., Gene Edward; De todo meu entendimento: pensando como cristão num mundo pós-moderno. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 65.
7 VEITH JR., Gene Edward; De todo meu entendimento: pensando como cristão num mundo pós-moderno. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 61.

terça-feira, 26 de abril de 2011

TERCEIRA PARTE: O EVANGELHO QUE PAULO JAMAIS PREGARIA. E VOCÊ, PREGARIA?

TERCEIRA PARTE: O EVANGELHO QUE PAULO JAMAIS PREGARIA. E VOCÊ, PREGARIA?

Para Ciro Sanches Zibordi, a doutrina da eleição incondicional é incompatível com a justiça divina, com a vontade divina em salvar toda humanidade, com a expiação universal, com a pregação e o amor divino. Para ele é inconcebível que o Deus Justo e amoroso tenha escolhido algumas pessoas dentre a humanidade caída e deixado as demais mortas nos seus delitos e pecados. A ideia é a seguinte: Deus é justo, portanto, Ele não pode escolher alguns para a salvação e rejeitar outros. Deus não faz acepção de pessoas, afirma Ciro. Com certeza Deus não faz acepção de pessoas, mas esta não é toda verdade. Isso parece bonito, tem um som agradável, carregado de piedade, mas padece de fundamentação bíblica. Essa afirmação merece uma averiguação mais acurada das Escrituras.

Para fundamentar o argumento a respeito do amor de Deus, Ciro evoca o testemunho de Atos 10. 34, que diz: “Então, falou Pedro, dizendo: reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas”. Como é perigoso tomar um versículo fora do contexto para justificar um ponto de vista teológico, cujos pressupostos estão fincados em areia movediça. O que o texto nos ensina é que não existem barreiras raciais para impedir a manifestação da graça salvadora. Depois do derramamento do Espírito Santo ao cumprir-se o dia de Pentecostes, a salvação extrapolou as muralhas geográficas de Israel (At 2). Após isto as rédeas foram tiradas das mãos dos judeus. Basta ler Atos 10 35, texto que vem logo a seguir ao que é citado por Ciro: “pelo contrário, em qualquer nação, aquele que teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (At 10. 35). Mas, além disso, esse versículo não está ensinando sobre soteriologia, ou seja, sobre doutrina da salvação. Muito embora haja nele alguns elementos os quais fazem parte deste ensino. É preciso ficar claro, pois do contrário, esse texto estaria ensinando sobre a salvação pelas obras, algo que é combatido pelas Escrituras de Gênesis ao Apocalipse. Além do mais, o contexto do capítulo 10 ensina-nos que até aquele momento, o centurião romano chamado Cornélio, ainda não era salvo, porque a salvação não é pelas obras. Cornélio tinha várias prerrogativas religiosas e morais, mas, ainda assim, não era salvo. O exemplo desse homem é um excelente instrumento pedagógico para desconstruir os preconceitos raciais arraigados entre os judeus.

Ainda na tentativa de substanciar seu argumento acerca da incompatibilidade entre a eleição e a justiça divina, Ciro cita a pergunta feita pelo patriarca Abraão: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18. 26). Fico irritado ao ver essas argumentações descabidas e falaciosas, que pegam o texto e fazem dele “um nariz de cera”, isto é, tiram do seu contexto e colocam onde bem querem. Isso é infidelidade. Essa postura deve ser classificada como prostituição doutrinária. Claro que, de acordo com o texto dentro do seu contexto, Deus jamais executaria seu juízo ou a sua ira contra os justos. Podemos exemplificar isso com o justo Ló, Deus o tirou de Sodoma e Gomorra para que não fosse fulminado com os homens ímpios daquelas cidades. Portanto, esse versículo jamais deve ser tomado para justificar que a eleição incondicional é uma injustiça divina.

Na verdade, a eleição incondicional não é uma questão de justiça, mas de misericórdia. De justiça seria se Deus tivesse sentenciado todos os descendentes dos nossos primeiros pais à prisão perpétua, isto é, ao inferno. Existe injustiça da parte de Deus por te amado alguns e rejeitado a outros? A Escritura responde: “De modo nenhum” (Rm 9. 14). A verdade é que: “não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9. 16). Ciro está equivocado em dois quesitos: primeiro na sua hermenêutica; segundo na sua compreensão da doutrina da salvação. Na hermenêutica, ele não respeita as normas elementares para interpretar as Escrituras. Na doutrina da salvação ele atribui à eleição a obra da fé, ou seja, uma pessoa só é eleita depois de crer e se arrepender. Isso é um desvio doutrinário. A Bíblia ensina que uma pessoa crê e se arrepende porque é eleita, e não o contrário. Deus não elegeu indivíduos porque previu que iriam crer, mas porque os elegeu, creram. Vejamos o que as Escrituras ensinam sobre essa verdade em Atos 13. 48 estar escrito: “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”. Aqui está escrito que as pessoas creram. Mas, quem foram as pessoas que creram? A Escritura afirma que foram as destinadas para a vida eterna. Elas foram destinas, e, por isso creram.

Um erro infantil cometido por Ciro é negar a eleição dizendo que, se houvesse eleição incondicional, se assim o fosse, não haveria necessidade de pregação. Ele se esquece ou desconhece a seguinte verdade bíblica: O Deus que escolheu pessoas para a salvação em Cristo, também é o Deus que escolheu os meios para alcançar os eleitos. Não há incoerência nisso. O eleito se encontra na mesma condição dos demais homens. Portanto, o instrumento de Deus para alcançá-lo é a pregação do evangelho.

Gostaríamos de elencar algumas razões pelas quais a eleição é extremamente compatível com a pregação: Primeira, porque a pregação é uma ordem de Cristo. Só essa verdade já seria motivo para não rejeitar a doutrina da eleição. Segunda, porque a Palavra é o instrumento gerador de fé. “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10. 17). Sem pregação não existe fé salvadora. O apostolo Paulo instruindo os crentes de Éfeso quanto à doutrina da eleição, afirma que, antes de serem selados com o Espírito santo da promessa, eles tiveram que ouvir apalavra da verdade, o evangelho da salvação, e além de ouvir tiveram que crer (Ef 1. 13). Terceira, porque é pela palavra e com a palavra que o Espírito Santo regenera ou efetua o novo nascimento numa pessoa (Jo 3. 5; 1Pe 1. 23). Quarta, porque Jesus orou dizendo: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” (Jo 17. 20). Aqueles que hão de crer o farão por meio da palavra. Sendo assim, sem a pregação do evangelho não existe salvação. É por isso, que Cornélio teve que ouvir a palavra por meio da qual foi salvo (At 11. 14). Deus escolheu pessoas para salvação sim, mas também escolheu o meio para alcançá-las, a pregação

Portanto, esse evangelho foi pregado por Paulo após sua conversão, por toda sua vida e ministério. Seu ministério tinha como finalidade dentre outras coisas, o de promover a fé que é nos eleitos de Deus (Tt 1. 1). Por isso, não deixemos de pregar o evangelho pregado por Paulo. Não condicionemos à mensagem bíblica a nossa tendência humanista, que quer colocar o homem no centro de todas as coisas e destronar o Senhor, a quem pertence à salvação do seu trono. Não conspiremos contra os planos divinos.