sexta-feira, 6 de setembro de 2013

AS FUNÇÕES RECÍPROCAS DE TODOS OS CRENTES

A igreja é uma comunidade constituída por pessoas de várias faixas etárias, por diversos níveis intelectuais, por múltiplas nacionalidades e por classes sociais distintas. O povo de Deus é composto por homens e mulheres, por crianças e adultos, por ricos e pobres, por iletrados e cultos. A igreja têm muitos membros, mas um só corpo. Ela é gerada pela graça mediante a operação do Espírito Santo. Uma das suas principais dinâmicas é o convívio fraterno. Por isso, na igreja de Deus, não pode existir espaço para o isolacionismo. A vida cristã não é uma ilha de segregação racial, social e intelectual. Nenhum cristão deve viver no gueto do individualismo, pois somos membros da mesma família, amados com o mesmo amor, com a mesma medida, alcançados pela mesma graça, conectados num mesmo corpo, saciados pela mesma fonte espiritual e agraciados pelo perdão da mesma forma. Logo, somos filhos do mesmo Pai, pertencemos a mesma família e somos um só povo. Todos os membros do corpo de Cristo receberam dons espirituais, a fim de promoverem a edificação da igreja. Todos são chamados para desempenharem uma função recíproca. O apóstolo Paulo, diz que todo cristão deve ser um consolador e um edificador:

I) Todo crente deve exercer a função de consolador. Paulo ordena: “Consolai-vos, pois, uns aos outros […] reciprocamente, como também estais fazendo” (1Ts 5. 11). Amados, não somos como os pagãos que não têm esperança. Todavia, ainda vivemos num mundo caído, onde impera a injustiça. Pessoas inocentes são brutalmente assassinadas, violentadas e mutiladas. Os justos são injustiçados. Os fiéis são visitados e vitimados por enfermidades terríveis. Aqui, o mal tantas vezes triunfa sobre o bem. Esse mundo ímpio provoca angústia, gera tristeza e traz lágrimas. Ele rouba a paz, gesta insegurança na alma e assalta os corações com o medo. Embora os crentes não sejam do mundo, todavia vivem neste mundo perverso. Precisamos entender que os servos de Cristo também ficam aflitos e angustiados, tristes e desesperançados, cansados e abatidos. Os cristãos são pessoas que necessitam de consolo e de esperança no meio da tragédia. São indivíduos que esperam ansiosamente pelo encorajamento. Diante desse quadro, urge a necessidade diligente de que cada crente seja um consolador.

Veja, portanto, que o papel de levar o consolo para aqueles que estão aflitos não é uma exclusividade da liderança. A ordem imperativa de Paulo abarca todos os crentes. Paulo apenas reforça algo que já estava sendo praticado pelos cristãos de Tessalônica. Eles exerciam de modo ativo o consolo simultâneo. De modo que, sonegar o consolo para o que sofre é uma atitude anticristã. Há quanto tempo você não tem recebido nenhum consolo? Quando foi a última vez que você consolou alguém? Muitas vezes somos verdadeiros verdugos na alma do outro. Afligimos o aflito enquanto deveríamos consolá-lo. Outras vezes somos pródigos em acusar aqueles que estão precisando de refrigério. Porém, a função de todos os servos de Cristo é consolar o aflito e encorajar o desanimado.

II) Todo crente deve exercer a função de edificador. Paulo ensina: “[...] edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo” (1Ts 5. 11). O apóstolo usa uma linguagem metafórica para destacar que cada servo de Cristo é um edifício. O cristão é a casa de Deus, o templo do Altíssimo e o santuário do Espírito. Deus começou a construção e irá concluí-la até o dia de Cristo (Fl 1. 6). A edificação do povo de Deus é iniciada, assim como é realizada pelo próprio Deus. Jesus disse: “[...] eu [...], edificarei a minha igreja [...]” (Mt 16. 18). Conquanto, a edificação seja feita pelo Senhor, entretanto, por sua graça concede-nos o privilégio de sermos seus agentes e seus instrumentos nesse processo. Ele usa-nos como seus cooperadores, para fazer com que haja crescimento na vida do outro, bem como usa o outro, para produzir também maturidade em nossa vida. Portanto, todo crente tem a responsabilidade de efetuar a edificação de seus irmãos. Quando falamos a verdade de Deus, os outros são edificados, porém, quando os outros falam somos edificados.

Nosso papel como edificador é vital para que os membros cresçam igualitariamente. De sorte que, a imaturidade de muitos crentes nesta pista de mão dupla é decorrente da falta de engajamento e serviço. Se sou omisso na edificação o progresso espiritual na vida do outro desacelera. Da mesma forma, se você for negligente no exercício de edificador, a minha vida corre o risco de ficar estagnada. Amados, por isso, precisamos acatar a admoestação apostólica, para o bem da igreja: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (1Ts 4. 18). E mais: “[...] e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo” (1Ts 5. 11). Portanto, consolemos uns aos outros e promovamos a edificação da igreja. Você que já tem agido dessa maneira, continue exercendo as funções de consolador e de edificador do povo de Deus. E você, que até hoje, não tem experimento esse privilégio de ser um conselheiro, agora, pode começar a exercitá-lo.

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