quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Educação Cristã no Século XXI.

Educação Cristã no Século XXI.

A educação sempre fez parte da história dos homens. Mas, à medida que os tempos vão se passando há uma necessidade urgente de se criar novos métodos, para que o ensino não se torne irrelevante. Com a avalanche de novidades tecnológicas e das descobertas cientificas, urge na mesma proporção a tentativa de reavaliar ou reestruturar os métodos pedagógicos, tanto na área secular quanto na esfera eclesiástica. 
 
As transformações têm ocorrido de modo abrupto na sociedade pós-moderna, e com isso, os padrões tradicionais têm sido solapados por estas mudanças. As mudanças são extremamente necessárias numa sociedade em constante evolução, mas são também destruidoras. Pois, uma das marcas da pós-modernidade é o desconstrucionismo, que destrói tudo que foi erigido, construído e não se coloca nada no lugar daquilo que foi demolido. Nesta era, nada se constrói, e, tudo é criticado. 
 
O método mais utilizado hoje, tem sido o audiovisual em termos gerais; e ainda o método “fast food” aquele que mostra resultados imediatos. Sem dúvida, estes métodos têm causado mudanças na área da pedagogia, mas não têm produzido ensino enraizado no âmago do ser humano e nem tão pouco atingido o homem em sua integralidade ou totalidade. Com isso aprendemos uma coisa importante, que os métodos precisam ser servos da essência.

Diante de todas estas transformações e desafios, a igreja precisa repensar o seu papel no que tange ao ensino cristão. Nem tudo na era pós-moderna é ruim. Esse é também tempo de oportunidade. No entanto, cabe a igreja ler o seu contexto, a realidade, e fazer uma digressão e mostrar o outro lado da moeda. Não precisamos jogar tudo que existe fora, mas precisamos reler a história, pois a educação cristã tem sido retardada, não por falta de conteúdo, mas por falta de metodologia ajustada com o homem e com o tempo . Sendo assim, um pouco de criatividade, uma pitada de iniciativa e uma boa dose de ousadia e discernimento não faz mal a ninguém. 
 
A igreja deve criar e se “aventurar” e avançar de modo dinâmico. Sua tarefa deve está estribado na Palavra de Deus, seu alvo deve ser a transformação dos homens e a glória de Deus. De sorte, que a liderança da igreja deve criar métodos que revolucionam sua geração, deve dinamizar a sua metodologia e avançar na docência. Diante disso, precisamos entender que Educação Cristã tem como “fim” formar o caráter cristão pelo conteúdo da Escritura cujos métodos sejam atuais.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

MORALIDADE, A ROUPA DO ORGULHO RELIGIOSO


MORALIDADE, A ROUPA DO ORGULHO RELIGIOSO
Certa feita, um amigo partilhou sobre a “pujança” de sua vida de oração. Ele disse-me que a sua meta era orar duas horas por dia de modo ininterrupto. Para atingir seu objetivo sagrado, bem como para evidenciar a sua espiritualidade tupiniquim, colocava uma fita cassete num toca fita auto-reverse, pois era o meio que demarcava começo, meio e fim. Quando o primeiro lado da fita terminava, a metade do percurso da sua maratona havia sido cumprida, então aguardava a finalização do segundo lado para completar sua jornada diária. A primeira vez que ouvi isso fiquei fascinado pelo seu fôlego de oração. Hoje, porém, não fico nem um pouquinho impressionado com este tipo de devoção. Não posso negar que meu amigo tinha disciplina, mas também devo admitir que a sua prática religiosa estava coberta do manto orgulhoso da religiosidade. Para ele seu orgulho religioso estava vestido de “piedade”, mas pode ser que o meu e o seu esteja com uma outra ou outras roupagens.

Ainda é preciso dizer que, para meu amigo, a oração deixou de ser um deleite e tornou-se uma norma preceitual, deixou de ser um meio de graça e tornou-se um fardo, deixou de ser um cultivo da intimidade com Deus e tornou-se um ritual árido. A vida cristã, no entanto, jamais deve ser medida pela quantidade de regras que uma pessoa observa nem pela quantidade de preceitos que guarda, mas pela liberdade que a graça proporciona-lhe em Cristo, para viver, orar e amar ao Senhor. Na dispensação do Evangelho está escrito: “Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor” (Gl 5. 6). Por isso, não adianta ser um exímio cumpridor das normas ritualísticas nem um supremo guardião das tradições dos anciãos, mas ser um inveterado violador dos mandamentos divinos. De sorte que, não adianta honrar o Senhor com os lábios, mas ter o coração longe dele.

Isso tudo lembra-nos sobre a postura dos fariseus. Eles orgulhavam-se da sua moral e da sua prática religiosa. Na verdade, o orgulho farisaico tem muitas facetas. Mahaney afirma que: “O orgulho assume inumeráveis formas, mas possui apenas uma finalidade: autoglorificação”.1 No meio religioso seu principal traje é a moralidade. Por conta disso, o orgulho tem uma indumentária bela e colorida, que impressiona de longe, porém de perto possui um ranço de podridão, um odor de privada e uma aparência de sepulcro caiado, pois por fora se mostra belo, mas por dentro está cheio de ossos e sujeiras. A veste externa do orgulho é a moralidade. Muitas pessoas se orgulham porque não são como os demais pecadores. Elas não bebem, não fumam, não são adulteras e não sonegam impostos. Quando perguntadas sobre os mandamentos, elas são ávidas em responder: “Tudo isso tenho observado desde a minha juventude” (Lc 18. 21). O currículo delas do lado externo é bonito de se ver, porém a parte interna está borrada pelo disfarce da hipocrisia que usam o tempo todo, para conservar a imagem de perfeição diante do público, pois temem ser conhecidas de fato como são.

Na verdade, o moralismo enquanto roupa do orgulho religioso é a catequese da escola dos fariseus. Os alunos desta escola são aprendizes do fariseu da parábola contada por Jesus cujo padrão de justiça são suas obras. De modo que a pós-graduação do farisaísmo é o moralismo religioso. O uniforme da universidade do orgulho religioso é o moralismo. As pessoas dessa “instituição” não dão espaço para aquilo que Cristo fez. O orgulho delas gira em torno do que não fazem, assim como do que fazem. Em suma, elas confiam nas suas obras. O outdoor da aparência é a principal preocupação dos moralistas. Brennan Manning afirma que: “Impostores se preocupam com aceitação e aprovação. Por causa da necessidade sufocante de agradar os outros, não conseguem dizer 'não' com a mesma convicção que dizem 'sim'. Assim, fazem das pessoas, dos projetos e das causas extensões de si, motivadas não pelo compromisso pessoal, mas pelo medo de não corresponder às expectativas das pessoas”2. Isso é o desvio da vida cristã.

Contudo é preciso que fique claro, o orgulho é filho da pretensa autonomia. O homem sempre quis ser um ser autônomo. Ele sempre quis ser igual a seu Criador. Sua queda é resultado daquilo que desejou ser: ele quis ser como Deus. De sorte que, a gestação do orgulho ocorre dentro do coração, mas sua forma estética é o comportamento. A moralidade tende a tornar as pessoas cheias de si mesmas. Os legalistas fariseus orgulhavam-se de si mesmos pela seguinte razão: “eu faço”, ou “eu não faço”, ou “eu não sou como”, ou então, “eu sou”. O seu pecado principal é a egolatria. Logo, isso está intimamente relacionado com aquilo que pensam ser. Para os fariseus, a prática é o que são em essência. O moralista está mais preocupado com a imagem que é passada para as pessoas, ele é um impostor que “apregoa sua escuridão como se fosse a luz mais intensa, disfarçando a verdade e distorcendo a realidade”.3 Pessoas cujo vestido é a moralidade nunca são conhecidas pela essência, mas pela aparência projetada pela imagem dos óculos 3D, parece, mas não é.

Entretanto, essas coisas nem atingem nem transformam o coração de ninguém. É como afirma Mark Driscoll: “a realidade é que as regras, as regulamentações e a busca de uma moralidade exterior são essencialmente incapazes de prevenir o pecado. Elas podem, na melhor das hipóteses, reorganizar a carne e fazer com que as pessoas parem de beber, fumar e fazer sexo, apenas para torná-las orgulhosas de sua elevada moralidade”.4 Diante disso, afirmamos que a moralidade é o avental do orgulho. Ele avilta a transparência e a sinceridade. Além disso, ela faz com que as pessoas se sintam orgulhosas daquilo que fazem. Muitas coisas que as “instituições eclesiásticas” fazem não passam de dogmas moralistas preceituais. As tradições dos anciãos ganharam novas roupagens, todavia continuam sendo atadas sobre os ombros dos incautos. Tais instituições tem uma cartilha de ‘pode’ e ‘não pode’. Com isso, o surgimento de neofariseus continua sendo forjado ou fabricado na forma da moralidade religiosa, que é criada por instituições e por homens.

O moralista está sempre vestido com a capa da autoconfiança. Todo aquele que norteia sua vida com a bússola farisaica da religiosidade e da ética autorreferente, tende a confiar em si mesmo. Além do mais, tal indivíduo massageia seu ego com sua justiça própria, aplaude sua conduta e trata o outro com desdém. Por falar nisso, “Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto de pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ò Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho” (Lc 18. 10-12). Este personagem é a encarnação do orgulho materializado em moralismo. A avaliação que faz do outro tem como instrumento a visão que tem de si mesmo em relação ao outro, à sua prática religiosa e à sua ética. Mahaney afirma que, “[…] só os humildes podem identificar, de modo consistente, evidências da graça em pessoas que precisam ser corrigidas. Os orgulhosos e os que são justos aos seus próprios olhos são incapazes de perceber isso”.5

Entretanto, nosso moralismo religioso não é diferente. Somos parecidos com fariseus em muitos aspectos. Por isso, nosso discurso não atrai nem agrega pecadores, porém mantém as pessoas afastadas de nós por duas razões: primeiro, por conta daquilo que pensamos delas. Elas mais pecadoras que nós, são impuras, injustas e imorais. Segundo, por causa daquilo que pensam acerca de nós. Nossa capa religiosa tende a afastar as pessoas do nosso convívio, não por conta da nossa santidade, mas por causa da nossa cara feia. Os moralistas fariseus sempre meneiam a cabeça em sinal de reprovação, dizendo para si mesmos: “Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora” (Lc 7. 38). Ou então dizem: “Este recebe pecadores e come com eles” (Lc 15. 2). Noutra ocasião murmuram “dizendo que ele se hospedara com homem pecador” (Lc 19. 7). Eles são aptos para condenar e criticar. Eles desconhecem o amor, a misericórdia, a compaixão e o perdão.

Os moralistas são como o primeiro filho da parábola contada por Jesus. O Pai diz: “Filho, vai hoje trabalhar na vinha” (Mt 21. 28). E então, o filho responde prontamente: “Sim, senhor; porém não foi” (Mt 21. 29). O Pai faz o mesmo pedido ao segundo filho, e este responde: “Não quero; depois, arrependido, foi” (Mt 21. 30). O primeiro filho é um moralista fariseu, vive sempre de aparência e de palavras afirmativas, mas não se arrepende. Sua vida é um engodo. Suas palavras um giz que apaga suas obras. Ele não muda sua conduta. Sempre critica os outros, todavia, não se arrepende. O segundo filho, embora desobediente e arredio, se arrepende. É por isso, que Jesus conclui a parábola com uma pergunta: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” (Mt 21. 31). Os moralistas são hipócritas, mas também são inteligentes. Eles respondem: “o segundo” (Mt 21. 31). Jesus, então declara: “Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus. Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.” (Mt 21. 31, 32).

Sabe por que este tipo gente não se arrepende? Porque não percebe sua condição diante de Deus, nem o seu pecado velado, nem as suas falhas de caráter. Pessoas que avaliam a sua condição com base na sua conduta, dificilmente se arrependerão. Ao passo que os miseráveis, os marginalizados, os trapaceiros cujas vestes estão dilaceradas pelo pecado, se escondem debaixo do abrigo do reino de graça primeiro, pois compreendem que nada são e nada podem fazer para receber o perdão do Pai. Por esta razão, colocam a boca no pó, arrependidas, e depositam sua confiança em Jesus Cristo. É por isso que a Escritura afirma que: “Deus escolheu as cousas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as cousas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as cousas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se glorie na presença de Deus” (1Co 1. 27-29).

Enquanto as pessoas estão em busca de adulação e autoglorificação, a Escritura ensina que “ninguém se glorie nos homens” (1Co 3. 21). Ao invés disso devemos imitar o apóstolo Paulo que afirma: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gl 6. 14). Aliás, diz a Escritura que: “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva” (2Co 10. 17, 18). Diante disso, a prudência orienta-nos a orarmos da seguinte forma: “Pai, eu quero ficar o mais perto possível da cruz, por é mais difícil ser arrogante quando estou lá”.6

As palavras de John Stott, citadas por Mahaney são profundamente instrutivas: “o orgulho é nosso maior inimigo e a humildade, a nossa maior amiga”.7 Se um homem ou uma mulher quiserem ser curados do autoengano moralista, suas capas da justiça precisam ser removidas, suas deficiências precisam ser assumidas e suas chagas precisam ser reveladas. Acatemos, pois, a admoestação do Espírito Santo: “cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça” (1Pe 5. 5). Vistamos as vestes da humildade, para então, recebermos a preciosa promessa do Senhor. Substituamos a roupa do moralismo do orgulho religioso, pelo avental da humildade. Por que devemos proceder assim? Porque as pessoas que usam a roupagem do moralismo só conseguem perceber o pecado do outro, porém só os humildes conseguem visualizar a ação da graça. “O orgulho não somente destrói, mas engana. O pecado, com seu poder enganoso, com frequência nos cega, deixando-nos inconscientes das falhas que as demais pessoas percebem claramente”, afirma Mahaney. Uma pessoa vestida de moralismo religioso, dificilmente perceberá os seus paradoxos, as suas contradições e as suas ambiguidades. Os humildes, porém, conseguem perceber sua condição e seu estado, assim como vêm a graça agindo na vida do outro, e se alegram com isso.

Não quero, todavia passar a ideia de que o evangelho não tem ética, absolutamente não, pois ele o tem. No entanto, a ética cristã é fruto daquilo que a graça realizou e ainda está realizando em nosso coração. Não direi que é natural, pois não é. Natural é o moralismo, pois é o resultado do esforço humano. A ética do evangelho é sobrenatural, visto que sua origem é a nova vida com Cristo e em Cristo. O moralismo é pesado e enfadonho, mas a ética do evangelho é leve e suave. O primeiro tem um odor insuportável, o segundo vem carregado do bom perfume de Cristo. Deixe que a fragrância da graça atraia pessoas para Cristo por meio da sua vida. Mas, para que isso ocorra, livre-se do vestido surrado e mal cheiroso do moralismo religioso. Ao contrário do fariseu da parábola contada pelo Senhor Jesus, devemos proceder como o publicano, que “estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lc 18. 13). Então, Jesus conclui: “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18. 14). O modo como você ora, bem como a forma como procede relacionalmente com o outro, revela qual roupa tem usado. Só os que percebem sua nudez, serão revestidos com a justiça de Cristo. Que o SENHOR nos ajude! Amém!

NOTAS:
  1. MAHANEY, C. J.; Humildade: verdadeira grandeza. São José dos Campos – SP: Fiel, 2008. p. 30.
  2. MANNING, Brennan; O impostor que vive em mim. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p. 37.
  3. MANNING, Brennan; O impostor que vive em mim. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p. 38.
  4. DRISCOLL, Mark; Reformissão: como levar a mensagem sem comprometer o conteúdo. Niterói – RJ: Tempo de Colheita, 2009. p. 40.
  5. MAHANEY, C. J.; Humildade: verdadeira grandeza. São José dos Campos – SP: Fiel, 2008. p. 83.
  6. MAHANEY, C. J.; Humildade: verdadeira grandeza. São José dos Campos – SP: Fiel, 2008. p. 59.
  7. MAHANEY, C. J.; Humildade: verdadeira grandeza. São José dos Campos – SP: Fiel, 2008. p. 28.
1 MAHANEY, C. J.; Humildade: verdadeira grandeza. São José dos Campos – SP: Fiel, 2008. p. 30.
2 MANNING, Brennan; O impostor que vive em mim. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p. 37.
3 MANNING, Brennan; O impostor que vive em mim. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p. 38.
4 DRISCOLL, Mark; Reformissão: como levar a mensagem sem comprometer o conteúdo. Niterói – RJ: Tempo de Colheita, 2009. p. 40.
5 MAHANEY, C. J.; Humildade: verdadeira grandeza. São José dos Campos – SP: Fiel, 2008. p. 83.
6 MAHANEY, C. J.; Humildade: verdadeira grandeza. São José dos Campos – SP: Fiel, 2008. p. 59.
7 MAHANEY, C. J.; Humildade: verdadeira grandeza. São José dos Campos – SP: Fiel, 2008. p. 28.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O VELHO VAI MORRER


O VELHO VAI MORRER

         No Brasil é comum ouvirmos no fim do mês de dezembro que o velho está no CTI. Essa expressão visa a sinalizar que o fim do ano corrente está no balão de oxigênio, dando os seus últimos suspiros. Todas as vezes que pronunciamos essa frase, a tônica é a ênfase no término do ano vigente; porém, por detrás dela tem  outra verdade, salientamos que estamos prestes a iniciar um novo ano. Todavia, para que se inicie o novo o velho tem que terminar. O ano novo só tem início definitivo quando o ano velho é finalizado.

         Para muitos, no entanto, o ano novo vem mesclado de uma mistura de sentimentos, é um tempo de tensões, de retrospectivas e uma oportunidade para olhar o futuro. O novo traz consigo expectativas, possibilidades e desafios. Todavia, traz também insegurança, vem acompanhado de ameaças, riscos e perigos. Por essas razões é que quase sempre preferimos injetar vitamina naquele cuja vida já deu seus honrosos e preciosos frutos. Porém, mantê-lo com vida implica dispendiosos custos financeiros, desgastes físicos e comprometimento emocional. 

         Diante disso, às vezes chegamos à fatídica conclusão de que o método velho precisa morrer mesmo. Referimo-nos aqui a métodos que foram pródigos em eficiência, deram maravilhosos frutos e resultados, mas, que agora, não passam de instrumentos sem vida e obsoletos.  É verdade que, com a chegada do novo, nem sempre é preciso que o velho morra imediatamente, mas, logo, logo terá que ser substituído definitivamente. O velho precisa dar lugar ao novo. Os métodos vem e vão. Não é sábio absolutizar os métodos. Sacralizar meios é banir a criatividade. Algumas pessoas descobrem que é possível fazer certas coisas de forma diferente do passado. Elas encontram modos  mais eficazes, e, o que é melhor, sem sacrificar a verdade ou a essência. Por isso, toda geração precisa reavaliar os contextos nos quais está inserida. Cada situação exige uma nova leitura, a viabilidade de meios e as maneiras de atingir alvos precisam ser gestadas. Entretanto, para que isto aconteça é necessário que o velho morra para que o novo nasça.

         Que o velho um dia vai morrer é fato. Podemos impedir a fertilização de uma nova gestação com as famosas pílulas de resistência e preconceito, mas, num momento ou noutro, o óvulo da criatividade será fecundado e dará vida à necessidade. Isso não é uma possibilidade, mas uma realidade escatológica. O velho  morrer faz parte do ciclo natural. Porém, quando o velho tem que morrer definitivamente? A troca deve ser feita por motivos justos. As mudanças devem ser realizadas por razões nobres. Nossas decisões devem ser fruto de profundas avaliações. Tudo quanto tivermos que fazer em termos de substituições não pode ser por causa do modismo imediatista, mas por conta das comprovações de que algo ficou inviável, ineficiente e ineficaz. Não é porque é velho ou obsoleto, mas porque é irrelevante que precisa dar lugar ao novo.

         Ah! Deus é uma pessoa criativa e inovadora. Ele ama o progresso. O Deus a quem servimos é zeloso e inovador. Ele afirma por intermédio de sua palavra que as mudanças são necessárias quando o novo é excelente em detrimento do velho. “Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquada e envelhecido está prestes a desaparecer” (Hb 8. 13). O Senhor tem uma única aliança, porém, ela fora administrada por diversos modos. Deus, nunca, jamais abre mão daquilo que é absoluto. Todavia, Ele jamais fica preso com aquilo que é secundário.

         Entendamos uma coisa, o antigo enquanto método, sempre cumpre o seu papel na história, no tempo e na circunstância que exigiu o seu nascimento. Ninguém deve ignorar a relevância do velho na história. Porém, não é sábio manter a hegemonia daquilo que deixou o seu valor no que tange a eficiência no passado. A rememoração do passado tem o seu valor, mas viver um saudosismo nostálgico é perigoso e atrofia a capacidade de pensar. Quem fica preso ao passado dificilmente efetuará alguma conquista no futuro.

         Uma placa que sinaliza a existência de uma curva perigosa não deve ser removida. Todavia, se a curva for retirada não faz mais sentido manter a placa. Ela perde o seu valor local e circunstancial. Talvez até seja utilizada noutra região, mas ali perdeu a sua relevância. A extinção de algo sacralizado pode ser ruim, causar desconforto, mas algumas vezes é necessária. A única coisa que jamais deve ser mudada é a essência. Os absolutos não podem nem devem ser removidos. Todavia, os modos de aplicá-los podem ser descobertos e experimentados. Portanto, não confundamos essência com meios.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

PERDÃO, O REMÉDIO PARA A ALMA ENFERMA


PERDÃO, O REMÉDIO PARA A ALMA ENFERMA

            Muitas pessoas sofrem de patologias psicossomáticas. As causas dessas enfermidades são  de diversas naturezas. Várias doenças psicossomáticas são tratáveis por meio de terapias e medicamentos. Porém, há uma que não é tratável por meio desses instrumentos. Trata-se da amargura, do coração ferido e da alma dilacerada. Nossa alma é rápida e pródiga em registrar ofensas. As palavras duras e ríspidas, os maus tratos, as grosserias são como vírus intrusos, os quais ficam alojados no arquivo da nossa memória e provocam danos terríveis. Essas são as principais causas desse mal que infectam e assolam grandes e pequenos, mulheres e homens, ricos e pobres, indoutos e intelectuais, crentes e ateus.

            A amargura é uma doença da alma. Ela é gerada por meio daquilo que vemos e sentimos, mas, principalmente por meio daquilo que ouvimos. Os seus efeitos são letais. Uma pessoa contaminada por essa epidemia perde o brilho dos olhos, o encanto pela vida e a alegria de se relacionar com o outro. Ela interrompe o caminho da comunhão, sufoca a paz e atrofia a afetividade harmônica. Uma alma infectada pela raiz de amargura, dificilmente será curada por intermédio das terapias, dos remédios laboratoriais ou outro método. Entretanto, duas coisas são vitais para que a cura ocorra de modo eficaz, a saber: o diagnóstico e a decisão.

O primeiro passo para que a cura aconteça é o diagnóstico, porém, o exame para constatar que a alma está doente não é feito pelo outro nem pelo laboratório, mas por você mesmo. Você deve olhar a ferida no seu coração. Você pode fazer uma radiografia da sua alma. Se o exame não for alterado pelo engano do seu coração, se você não for míope nem ignorar o tumor alojado no centro do seu ser, então perceberá com clareza a raiz infectante da amargura. Ninguém melhor do você para conhecer a sua real situação quanto à doença letal da amargura.

Quando isso acontece, então, você deve dar o segundo passo: a decisão. Somente você pode tomar a decisão de ingerir o remédio.  De sorte que, existe solução e esperança para você que está com a alma enferma. O medicamento para a alma doente chama-se perdão. O perdão enquanto remédio é carregado no alforje da decisão. Ninguém pode tomá-lo em seu lugar. Portanto, o antídoto para tal enfermidade é uma questão de decisão. A decisão de perdoar é o tônico para a alma enferma. 

            Aquele, porém, que examina a sua alma e descobre a enfermidade, mas endurece a cerviz, para não perdoar, jamais receberá a restauração. A falta de perdão quase sempre é fruto da dureza de coração. Além disso, o autossenso de “justiça” vingativa que impera sobre a nossa razão, impede-nos de conceder perdão àquele que nos feriu. A decisão irremediável de não perdoar é um forte sinal de que existe um desejo velado no nosso coração por vingança. . A Lei de Talião está mais presente nos nossos relacionamentos do que eu e você imaginamos. Quem não perdoa quer que o outro pague na mesma moeda.

Todavia é importante compreender que a falta de perdão traz consequências bilaterais. A falta de perdão adoece o ofendido. Uma pessoa cuja ofensa feriu a sua alma, tem grande probabilidade de ficar com amargurado e desenvolver doenças emocionais. A falta de perdão infecciona as emoções do ofendido e acorrenta o agressor. Enquanto o ofendido fica enfermo, o ofensor fica amarrado. Por isso, o perdão na relação interpessoal traz também resultado duplo. Ele é bom para quem recebe, mas é excelente para quem o libera. O perdão é maravilhoso para o agressor, porém é fantástico para o agredido. Aquele que perdoa desata as amarras do outro, ingere o remédio de que tanto precisa e expele o veneno mortífero da alma. Um é posto em liberdade, o outro é sarado da mágoa. O ofensor fica livre, o ofendido curado.  

            O perdão, entretanto, é mais que remédio, é um imperativo divino. A palavra de Deus ordena-nos a perdoar uns aos outros. Quem recebe o perdão divino tem todas as razões para perdoar. A causa motivadora para perdoar é a compreensão do perdão que recebemos de Deus. Ele perdoou todos os nossos pecados, logo, somos encorajados a perdoar também aquele que nos ofendeu. O parâmetro para perdoar é o perdão de Deus. Eis a instrução do Espírito Santo por meio da Escritura: “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl 3. 13). Max Lucado afirma que: “Pessoas perdoadas perdoam. Os que recebem misericórdia são misericordiosos”. Perdão não é uma questão só de exame, decisão e cura, mas de mandamento. Não é uma questão de opção, mas de dever. Aqueles que recebem o perdão de Deus, mas que se negam a concedê-lo, por certo enfrentarão dias maus e difíceis. Os verdugos da alma, certamente, os atormentarão dia e noite. A causa é múltipla, os danos são duplos e as feridas inumeráveis. Porém, o remédio é único. O perdão é o remédio para a cura da alma enferma. Não protele a cura da sua alma. Decida perdoar. Isso será bom para o outro, mas, com certeza, será melhor para você. E lembre-se, você só faz aquilo que decide fazer.

terça-feira, 22 de maio de 2012

DECRETO: A CAUSA DA REPROVAÇÃO

DECRETO: A CAUSA DA REPROVAÇÃO

A doutrina da reprovação é uma das mais controversas entre os cristãos. Muitos teólogos admitem a doutrina da eleição como sendo bíblica, mas não concordam com o ensino da reprovação dos ímpios. Para alguns a doutrina da reprovação tem como base as obras, porém a Bíblia ensina o contrário. A Escritura ensina que tanto a eleição como a reprovação tem como fundamento o decreto divino. Sendo assim, a reprovação dos ímpios tem como causa primária o eterno decreto de Deus.

Calvino aborda essa questão salientado que Deus preordenou alguns homens para a salvação e alguns para condenação. Dois destinos aguardam os homens, logo alguns foram predestinados para a vida eterna, mas a outros foram destinados para a morte eterna. Alguns Deus elegeu para a salvação, a outros, porém rejeitou. Sua abordagem tem como fundamentação a Escritura, mas, além disso, ele usa a lógica: se admitimos a eleição como causa do decreto, logo é preciso admitir também a reprovação. Além disso, o destino que Deus reservou para cada homem tem como fundamento o decreto, e, não as obras praticadas.1

Portanto, a reprovação não é um resultado daquilo que o homem fez ou deixou de fazer, mas tem como causa o decreto. Desta forma, a reprovação não deve ser confundida com a condenação. A primeira tem como pilar o decreto, a segunda é decorrente dos atos praticados pelos homens. 1. Para uma análise aprofundada sugerimos: CALVINO, João; As Institutas – Vol 3, Edição Clássica, Cultura Cristã. Cap. XXI, Seção – 5; Cap. XXII, Seção – 11; Cap. XXXIII, Seção – 1).

terça-feira, 3 de abril de 2012

IMPRESSIONANTE!!!

IMPRESSIONANTE!!!
Há situações deveras impressionantes, que mexem com nossas emoções. Algumas delas têm o poder de deixar-nos boquiabertos. Já fiquei de queixo caído diversas vezes por várias razões. A beleza, a pompa, e, sobretudo, aquilo que é extraordinário, sem sobra de dúvida consegue gerar experiência dessa natureza. Diante de certos acontecimentos, fatos, histórias, cenas e imagens ficamos maravilhados. Bem que poderíamos citar várias situações, mas destacaremos apenas uma, a saber: o chamado divino.

O chamado divino é algo que, sem dúvida alguma, promove perplexidade nas pessoas. Geralmente ficamos extasiados com o chamado de certos indivíduos. Na verdade ficamos impressionados como determinadas pessoas foram chamadas para o ministério. Já ouvi pessoas citarem outros que tinham uma carreira promissora a qual estava em acensão profissional e econômica. Elas tinham uma vida financeira estável e eram bem-sucedidas em tudo quanto faziam. Mas, de repente, deixaram tudo para abraçar a vocação pastoral. Quando ouvi isso tive a sensação de que as palavras eram pontas de alfinete para furar-me. Ouvir aquelas palavras não foi agradável. A forma como foram pronunciadas não tinham a intenção de render louvor Àquele que tem chamado pecadores para serem pastores, mas enaltecer os “chamados elitizados”.

Todavia, quando ouvi esse “testemunho”, confesso que fiquei um tanto cabisbaixo, pois, afinal não tinha nada disso no meu currículo. Não sou filho de nobre. Aliás, sou filho de uma aventura amorosa. Nasci em uma família muito pobre. Minha família nunca teve pedigree. Cresci numa fazenda. Fiz tudo ou quase tudo que um homem do campo faz. Fui vaqueiro. Trabalhei na lavoura de café. Trabalhei com a enxada e também com a foice. Nunca tive o privilégio de estudar numa boa escola, até porque na roça não tinha. Conclui meu ensino médio fazendo supletivo. Até hoje não consegui superar as dificuldades da língua portuguesa. É provável que nesse texto você encontre alguns erros, filho gestado da deficiência dessa má formação educacional que recebi. Todavia, não vou contar as coisas terríveis que já fiz. Não é edificante nem prudente meter a mão na lata de lixo. Os meus pecados foram lançados no fundo do oceano. O Senhor Deus perdoou todos o meus pecados em Cristo Jesus, meu Salvador e Senhor. Há muitas coisas que poderia contar aqui, mas estou convencido de que esse pequeno histórico é suficiente para que você entenda o que direi logo a seguir.

Pois bem. Depois de pensar sobre aquela fala que impressionava e exaltava aquele ou aqueles que tinham uma situação econômica louvável, formação singular, o qual ou os quais pertenciam à elite, cheguei a seguinte conclusão: devo ficar impressionado não com quem foi chamado, mas com AQUELE que chama. Aquele que chama não faz acepção de pessoas. Ele chama o homem culto e o ignorante, o rico e o pobre, o negro e o branco. Com esse sim, devemos ficar maravilhados.

Examine a história da redenção. Quando examinamos a história daqueles que foram chamados ou chamadas por Deus, concluímos que sua soberania, sabedoria, poder e graça levam-nos a contemplação da sua majestade. Note, portanto, que Ele chamou Moisés, homem culto e preparado, mas também chamou o vaqueiro Amós. Amós não era filho de profeta, mas o SENHOR o chamou. Ele chamou Josué, homem corajoso e aplicado, mas também chamou o profeta Jonas, homem medroso, desobediente e egoísta. O SENHOR chamou o poliglota, Paulo de Tarso, mas também chamou os filhos de Zebedeu, João e Tiago, os quais eram pescadores. Aquele que chama, chama aquele que é considerado escória da humanidade. ELE chamou o historiador e doutor Lucas, mas também chamou o rude pescador, Pedro. AQUELE que chama, chama quem está debaixo das luzes, mas sobretudo chama os que estão no anonimato. Isso acontece tanto para a salvação quanto para o ministério.

Aliás, a minha alegria, bem como o consolo que experimentei após aquelas palavras, não vieram de outra fonte, senão da Palavra Daquele que chama. Ele disse-me por meio da Escritura: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem de muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1Co 1. 26-29). Louvo a Deus por ter chamado pessoas que abnegadamente deixaram tudo para servi-lo por intermédio do ministério. Entretanto, não fico impressionado com isso, porém, fico deveras impressionado com AQUELE que chamou-me para ser ministro do Santo Evangelho, mesmo não tendo nenhuma prerrogativa da nobreza, nem carreira profissional, nem boa formação intelectual, nem riquezas, nem justiça e nem obras. No entanto estou convicto de que fui chamado para a salvação e ministério da Palavra. Louvado seja o Senhor!

Portanto, não é aquilo que as pessoas eram ou tinham que devem impressionar-nos, mas AQUELE que chama indistintamente apesar do que tinham ou eram. Esse sim, deve levar-nos a contemplação da sua magnifica graça. Mas, essas coisas só são notadas por meio do conhecimento da Escritura, da história do povo de Deus e da quietude reflexiva. Por isso, com o que chama, faz e capacita, fiquemo-nos boquiabertos, assombrados, impressionados e maravilhados. Porque ele chama a despeito dos méritos. Ele chama a despeito de quem éramos, fazíamos ou deixamos de fazer. Deus chama pecadores para a salvação e consequentemente para ser pregadores da sua Palavra.

quinta-feira, 22 de março de 2012

SANTIFICAÇÃO, A VONTADE DE DEUS PARA NOSSA VIDA

SANTIFICAÇÃO, A VONTADE DE DEUS PARA NOSSA VIDA

Por que ignoramos a vontade de Deus tantas vezes? Isso acontece por várias razões, mas, talvez a principal seja o relativismo. O relativismo ocorre quando duvidamos da objetividade daquilo que o SENHOR falou. Que Deus tem uma vontade para nossa vida, disso nenhum cristão duvida. Entretanto, o fato de sabermos que ela existe, não significa, necessariamente, que estamos vivendo-a. Paulo deixa claro que Deus tem uma vontade para nossa vida quanto a santificação. A Escritura diz: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação [...]” (1Ts 4. 3). Mas, em que consiste a santificação? A santificação versa sobre a abstenção da prostituição.

A palavra grega para prostituição no texto supracitado é pornéia. A prostituição vai além da venda do corpo. Na nossa cultura, condicionamos prostituição somente nesse aspecto, no entanto, o apóstolo a emprega num aspecto mais amplo. Com isso, a ideia é de que pornografia, sensualidade e vender o corpo é prostituição. Logo, concluímos que ela pode estar relacionada ao corpo, aos olhos e a mente.

Sendo assim, a vontade de Deus precisa ser vivida. Que nos despojemos de toda sorte de impureza seja da carne ou do espírito. As Escrituras afirmam que, as promessas de Deus são fatores motivacionais para uma vida pura, pois por meio delas somos encorajados pela Palavra do Senhor a vivermos uma vida santa. A Bíblia diz: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemos-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7. 1). Você tem usado o seu corpo para a glória de Deus? Os membros do nosso corpo não devem ser oferecidos como instrumentos de iniquidade, mas como instrumentos de justiça.

SANTIFICAÇÃO, A VONTADE DE DEUS PARA NOSSA VIDA

SANTIFICAÇÃO, A VONTADE DE DEUS PARA NOSSA VIDA

Por que ignoramos a vontade de Deus tantas vezes? Isso acontece por várias razões, mas, talvez a principal seja o relativismo. O relativismo ocorre quando duvidamos da objetividade daquilo que o SENHOR falou. Que Deus tem uma vontade para nossa vida, disso nenhum cristão duvida. Entretanto, o fato de sabermos que ela existe, não significa, necessariamente, que estamos vivendo-a. Paulo deixa claro que Deus tem uma vontade para nossa vida quanto a santificação. A Escritura diz: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação [...]” (1Ts 4. 3). Mas, em que consiste a santificação? A santificação versa sobre a abstenção da prostituição.

A palavra grega para prostituição no texto supracitado é pornéia. A prostituição vai além da venda do corpo. Na nossa cultura, condicionamos prostituição somente nesse aspecto, no entanto, o apóstolo a emprega num aspecto mais amplo. Com isso, a ideia é de que pornografia, sensualidade e vender o corpo é prostituição. Logo, concluímos que ela pode estar relacionada ao corpo, aos olhos e a mente.

Sendo assim, a vontade de Deus precisa ser vivida. Que nos despojemos de toda sorte de impureza seja da carne ou do espírito. As Escrituras afirmam que, as promessas de Deus são fatores motivacionais para uma vida pura, pois meio delas somos encorajados pela Palavra do Senhor. A Bíblia diz: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemos-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7. 1). Você tem usado o seu corpo para a glória de Deus? Os membros do nosso corpo não devem ser oferecidos como instrumentos de iniquidade, mas como instrumentos de justiça.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A SANTIFICAÇÃO PREPARA O CRENTE PARA GLÓRIA

O escritor aos Hebreus nos exorta com as seguintes palavras: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12. 14). O Senhor Jesus disse: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus (Mt 5. 8). Nossa pátria é o céu de glória (Fl 3. 20). O projeto final de Deus para nossa vida é a glorificação. Por isso, Deus exige de nós a santificação, porque ela nos prepara para a glorificação. Ele não abre mão de que vivamos para o louvor de sua glória. “Sede santos, porque eu sou santo”, diz o Senhor (1Pe 1. 16). No céu, para onde vamos não entra pecado. A Bíblia diz que na cidade santa, “nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21. 27).

Uma coisa é certa, se quisermos andar com Deus e desfrutar de sua presença gloriosa e consoladora, então precisaremos trilhar esse caminho, pois a santificação é o instrumento que pavimenta o caminho da glorificação. Você é um filho ou filha de Deus? Então, procure evidenciar a sua filiação. Você já nasceu de novo? Então, busque a santificação. Você foi chamado e justificado? Então, o seu destino é a glória. Nosso destino é o céu de glória, onde Deus “enxugará dos nossos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor” (Ap 21. 4).

Portanto, levantemos bem alto o estandarte da gloriosa doutrina da santificação e ouçamos o conselho do apóstolo Pedro: “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1. 16). Você deseja encontrar-se com Deus? Se a sua resposta for sim, logo precisa usar os meios, os quais o Senhor nos deixou para que tenhamos condição de vê-lo face a face. Que o Deus Eterno e Santo nos ajude a fazermos a sua vontade. Amém!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Autor da Criação


“No Princípio criou Deus os céus e a terra” Gn 1.1
Existem vários mitos que falam da criação dos céus e da terra, alguns inclusive se parecem com o texto bíblico de Gênesis, todavia eles demonstram incoerência com a lógica, e quando lidos com mais atenção, veremos que mais são as discrepâncias existentes entre eles e o relato de Gênesis do que suas similaridades. Os mitos como o mito babilônico, mostram vários deuses em guerra e em decorrência desta guerra surgem os céus e a terra. Nos mitos, os seres humanos são motivos de revolta e inveja dos deuses.
Notem que nessas fábulas, a guerra, o ódio fazem parte da criação daquilo que é harmonioso como o nosso imenso universo. Quando olhamos para toda a criação, notamos que foi necessário alguém que planejasse e arquitetasse cada detalhe para a criação de todas as coisas. Não foi o acaso. Não foi obra de sucessivas guerras. Mas obra de alguém que agiu com propósito e organização.
O sistematizador da lógica Aristóteles, um dos maiores filósofos do mundo, disse que existiu e existe alguém que é fabuloso para criar o mundo, ele chamou este ser de o “Motor Não Movido”. Sua idéia era de que este motor moveu tudo e não foi movido por ninguém. Que pena que Aristóteles não entendeu que este ser era o Deus verdadeiro revelado na Bíblia. Sua lógica o levou ao pensamento certo, mas a conclusão certa só advém do próprio criador e de seu conhecimento revelado nas Escrituras.
Portanto, somente pela lógica, já podemos deduzir que houve um criador poderoso que criou todas as coisas e que somente pela fé cremos que este Deus é o Deus da Bíblia o qual no princípio criou os céus e a terra.

Pense nisso:
O que você deve fazer diante do Deus Todo-Poderoso que criou todas as coisas? Como agradecer hoje ao seu criador por Ele ter lhe criado, bem como a sua família? Faça algo hoje voltado ao criador e a sua criação que demonstre sua gratidão.

¹Fábulas criadas pelos homens. Alguns teólogos que não acreditam no sobrenatural se enveredaram pelo caminho da crença de que Gênesis não é um fato histórico, mas um conto fantasioso com um sentido espiritual.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Santificação, uma evidência existencial da eleição

Santificação, uma evidência existencial da eleição
O propósito de Deus para sua vida é a santificação. A santificação é uma doutrina bíblica, no entanto esquecida e negligenciada em nossos dias. Mas é preciso dizer que, sem ela somos privados de várias benesses espirituais. Outra coisa que precisa ficar claro é de que a santificação é a vontade de Deus revelada tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. E mais, ela difere da justificação. Enquanto a justificação é um ato único, a santificação é um processo contínuo, que perdurará até a volta de Cristo. A primeira diz respeito ao nosso status, a segunda ao nosso caráter. Na santificação, Deus trabalha em nós, pois somos transformados de glória em glória para sermos conformados à imagem do seu Filho (Rm 8). Contudo, também é correto afirmamos que somos responsáveis em desenvolvê-la.

Além disso, a santificação é uma das evidências de que uma pessoa é eleita em Cristo e salva. Deus nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis (Ef 1. 4). É um engodo e uma falácia considerar-se um eleito ou salvo e viver na prática do pecado (1Jo 3. 9). A vontade de Deus para nossa vida é que nos revistamos, “como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade” (Cl 3. 12). Precisamos ser diligentes em obedecer a vontade de Deus no que tange a santificação, pois Ele quer que confirmemos a nossa eleição (2Pe 1. 10).

Portanto, não se comprova a eleição com verborragia nem com discurso, mas com atos e atitudes. Pelos frutos se conhece a árvore. Fomos eleitos na eternidade, porém fomos salvos na história, “pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2Ts 2. 13). De modo que, a santificação é uma prova existencial acerca da nossa eleição. A verdade bíblica de que fomos eleitos antes da fundação do mundo deve ser comprovada por intermédio de uma vida santa. A propósito, você tem levado a sério a santificação?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Regeneração, a base para a santificação

Regeneração, a base para a santificação
Você já nasceu de novo? Se você ainda não é uma nova criatura, jamais buscará a santificação. O bom exemplo disso é a metáfora do urubu. Coloque diante de um urubu uma carniça e uma picanha temperada. A natureza dele o levará para a primeira opção. Claro. Sua escolha é fruto da sua natureza. Assim é com o ser humano, antes de ter o coração de pedra trocado pelo coração de carne, sua inclinação penderá para a prática de pecado, mas se já recebeu o princípio da nova vida, com certeza trilhará as veredas da justiça.
De sorte que, o novo nascimento é a mola propulsora para a santificação, visto que após a regeneração as disposições carnais são suplantadas pelas disposições espirituais, as quais são percebidas por meio da fé e de uma vida santa. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5. 17). Deus quer que evidenciemos a nossa filiação por intermédio de uma nova vida, a qual tem como insígnia a santificação. Uma pessoa regenerada desejará ardentemente e buscará a santificação. O novo nascimento é incompatível com uma vida pecaminosa. Todos aqueles que recebem nova vida em Cristo são impelidos a trilhar o caminho da santificação.
Por isso, o apóstolo Paulo enfatiza que a nossa vida é marcada por dois momentos, o antes e o agora (Cl 3. 5. 11). Antes andávamos numa via escura. Não dávamos crédito a Palavra de Deus. Na verdade, éramos inimigos de Deus. Naquele tempo amávamos as obras das trevas. Nossos olhos estavam obscurecidos pelo pecado, não conseguimos perceber a nossa própria condição. Contudo, o agora é o divisor de águas da nossa nova vida. De agora em diante, devemos mortificar a nossa natureza terrena. Não podemos nem devemos cultivar a impureza. Nossos atos, ações e atitudes devem revelar a nossa nova natureza.