terça-feira, 20 de outubro de 2009

A TEOLOGIA DA PASSIVIDADE

A TEOLOGIA DA PASSIVIDADE
A articulista da Revista Veja, Lya Luft, na edição número 42, de 21 de outubro de 2009, no artigo intitulado: “A gente decide”, escreveu uma frase que retrata muito bem a teologia da passividade. Lya afirma que: “Indagados, os mais desassistidos dirão que Deus é quem sabe, Deus decide, a quem ama Deus faz sofrer [...]”. Obviamente Luft está fazendo uma critica dura, mas verdadeira e realista aos espectadores da história.No mundo existem dois tipos de indivíduos, os que atuam ativamente e os mórbidos e ociosos, que são passivos no desenrolar da história da humanidade. O segundo tipo são aqueles que assistem tudo de camarim, sem interferir, os quais lançam toda a responsabilidade nos “ombros” de Deus, e que ainda não compreenderam o seu papel enquanto agentes das transformações sociais. A verdade de que Deus sabe, decide, ama e disciplina é um fato escriturístico, mas em nome disso, cruzar os braços é deturpar a verdade em sua própria essência; é uma falácia perniciosa. O homem não é um robô, uma máquina ou uma marionete, mas, um ser moral, inteligente e responsável.A teologia da passividade não é sinônima de espiritualidade ou maturidade, nem evidência de confiança em Deus. Ela é uma caricatura da síndrome de Gabriela: “eu nasci assim, eu cresci assim, vou morrer assim”. Ou, na melodia do poeta sambista, Zeca Pagodinho: “deixa a vida me levar, vida leva eu”. Esse modo de encarar a vida, ou vivê-la ou vê-la tem levado muitas pessoas a viverem acomodadas. Tais pessoas aceitam tudo de forma passiva. Elas não questionam, não lutam nem tocam a trombeta para denunciar a injustiça. Elas aceitam a decretação da derrota numa boa. Seu comportamento foi condicionado pela sociedade capitalista, a qual é regida por uma classe de homens poderosos e gananciosos que dominam tudo e todos. A teologia da passividade é velha. Sua base pré-suposicional é encontrada no pensamento filosófico estóico. Os filósofos estóicos criam que o ser humano deve aceitar tudo de mãos atadas e sem se mexer. Eles eram fatalistas. Além disso, a teologia da passividade também tem seu ranço na filosofia epicurista. Para os epicureus tudo faz parte da casualidade. Notem, portanto, que a teologia da passividade é pagã. Ela não encontra fundamento na teologia bíblica. Sua origem está no paganismo grego. Ela não é teoreferente. Sua referencia são os pressupostos da casualidade e fatalidade. Mas, ela também foi ensinada por alguns indivíduos na Igreja Católica Romana. Na história da igreja, ela foi denominada de quietude. Em nome da obra da providência, vários cristãos cruzaram os braços e ficaram “assistindo o bonde” passar.Entretanto, a teologia que tem como fundamento a Escritura Sagrada, não encoraja esse tipo de atitude. Os súditos do reino são agentes efetivos e ativos. Só para se ter uma idéia, a história da igreja registra que: aqueles que criam no Deus soberano e providente, foram os que mais fizeram e produziram em favor a humanidade. A fé cristã não anula a diligência. Aliás, uma das marcas da fé verdadeira é a diligência. Ela jamais se rende, desiste ou recua. A fé verdadeira possui ideal. Sendo assim, ela luta até ver o triunfo. Portanto, todo ser humano, enquanto individuo social, possui responsabilidade social, em especial os cristãos que conhecem o verdadeiro e legítimo propósito da vida. Não atribua sua condição miserável e caótica a Deus. É fácil tirar a sua responsabilidade e lançá-lo sobre outrem. A Palavra de Deus admoesta que: “Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado” (Pv 19. 2).Não diga que tudo é porque Deus quis assim, mas diga que é assim, porque você não faz o que tem que ser feito, nem sabe como tem que ser feito. Admita que você não sabe como começar nem ao menos sabe por onde começar. Admita! Mas, não fique parado. Lute pelos seus ideais. Ore a Deus e trabalhe. Orar e trabalhar são insígnias dos cristãos. Portanto, vá a luta. Não cruze os braços. Sai do comodismo. Acorde dessa letargia espiritual. Seja um agente ativo e não passivo. Assuma a sua função de sujeito na sociedade na qual você está inserido. Você foi criado por Deus para ser instrumento de transformação na história do seu povo.

sábado, 3 de outubro de 2009

PREGADOR? E OS SEUS EQUÍVOCOS QUANTO A ELEIÇÃO?

PREGADOR? E OS SEUS EQUÍVOCOS QUANTO A ELEIÇÃO?
No dia 28/09/2009, por volta das 16:30h, passeando pelos canais de televisão ouvi uma leitura belíssima de uma porção das Escrituras, cujo tema era: “O que a graça de Deus produz”. O texto lido se encontra na Carta de Paulo a Tito. “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 3. 11-13). Contudo, ao invés de ouvir a exposição do texto sagrado, ouvi ensinamento de homens. Mais uma vez, às ambigüidades foram despejadas sobre os incautos acerca da doutrina da eleição.O pregador está semanalmente na mídia. Ele é sem sombra de dúvidas um líder conhecido e apreciado por muitos no território nacional. Ele tem efetuado muitas conquistas no seio das igrejas evangélicas brasileiras. Ele tem feito um trabalho muito bom na esfera da apologética, especialmente no que tange ao aborto, homossexualismo e teoria da evolução. O seu método tem cativado muitas pessoas, pois é um homem dinâmico. Suas técnicas são variadas. Ele mescla em seus discursos textos bíblicos e conceitos da psicologia. Sua preleção se parece com terapias de auto-ajuda. Seu linguajar é profundamente humorístico e moralista. Particularmente o considero um líder corajoso. Não tenho nada contra a sua pessoa, mas quando o assunto é sotereologia, ou seja, doutrina da salvação, os seus equívocos ficam patentes aos olhos daqueles sabem discernir a verdade da mentira e ferem os ouvidos daqueles já ouviram as doutrinas da maravilhosa graça de Deus. Dentre os equívocos cometidos pelo pregador da mídia está a doutrina da eleição.Antes de pontuar a insensatez do pregador, gostaria de afirmar que a doutrina da eleição é uma doutrina bíblica. Ela está ancorada no Antigo e Novo Testamento. Muitos cristãos têm sido consolados por meio da exposição da mesma, entretanto, muitos outros têm sido perturbados ao ouvir o seu ensino por intermédio de pregadores cuja teologia é espúria e humanista. Há muitos equívocos quanto à doutrina da eleição, quero destacar nesse pequeno texto apenas um, a saber:A falta de compreensão da soberania de Deus. Existem pregadores que estão na mídia que não entendem a doutrina da soberania divina. Mas existe um especial que é a caricatura dos demais. Ele afirmou “que Deus é soberano para escolher indivíduos para função, mas negam que Deus é soberano para eleger indivíduos para salvação”. O tagarela da mídia, Deus não é soberano em apenas uma faceta do seu governo, ele é soberano em sua essência e em todos os aspectos. A Bíblia afirma que salvação pertence ao Senhor (Jn 2.9), portanto ele a dá a quem quer. Deus escolheu sim indivíduos para salvação e rejeitou outros. “O SENHOR fez todas as cousas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade” (Pv 16. 4). “Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para hora e outro, para desonra?” (Rm 9. 21). “Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. Que diremos pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9. 13-16).Deus escolheu sim indivíduos para determinadas funções, mas também escolheu indivíduos para a salvação em Cristo. A Escritura afirma com veemência e clareza que existem pessoas que não crêem porque não fazem parte das ovelhas de Cristo (Jo 10. 25, 26), em contrapartida as que são suas ovelhas ouvem sua voz, Cristo as conhecem e elas o seguem (Jo 10. 27) e somente a elas Cristo dá a vida eterna (Jo 10. 28). “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”, disse Jesus (Jo 6. 37). Notem que os pronomes: “Aquele” e “esse” se referem a indivíduos, mas não a qualquer indivíduo. O indivíduo aqui é aquele que Deus o Pai deu a Deus, o Filho de presente. De tal forma que somente esse virá ao Salvador, pois “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer ...” (Jo 6. 44). Muitos ouvem o evangelho, mas somente crêem aqueles que foram destinados para a vida eterna (At 13. 48). Os mensageiros falam para muitos, mas Deus só abre o coração dos eleitos (At 16. 13-14). O tal pregador disse ainda que: “Os escolhidos estão no plural. O plural indica que a igreja é que foi escolhida. Portanto, Deus não escolheu indivíduos”. Para subsidiar o seu argumento, ele citou o seguinte texto: “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele ...” (Ef 1. 3-5). Como se a igreja não fosse composta de indivíduos. Que tolice! A igreja é formada de indivíduos os quais foram eleitos antes da fundação do mundo e alcançados na história.Para finalizar gostaria de citar o texto que ele usou para falar que não existe eleição de indivíduo. “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2. 11). Ele utilizou o pronome indefinido plural para negar a eleição soteriológica: “todos”. Com isso, ele não considerou as normas elementares da hermenêutica para interpretar o texto dentro do seu contexto, se é que ele tem conhecimento disso. Paulo havia dado instruções ao jovem pastor Tito acerca do trato com os membros da igreja de Creta. Para cada homem idoso e mulher idosa, moça e rapaz, o pastor e servo existe uma forma de tratamento (Tt 2. 1-10). Depois de dizer isso o apóstolo introduz uma conjunção explicativa: “porquanto”. Paulo não está ensinando nenhum tipo de universalismo, mas sobre a manifestação da graça salvadora sobre todas as classes de pessoas. A graça salvadora só se manifesta sobre aqueles a quem Deus escolheu antes da fundação do mundo. Ela só redime aquele por quem Cristo morreu. Cristo não veio ao mundo para morrer por todos, mas pelos eleitos (Mc 10. 45). O sangue de Cristo foi derramado em favor de muitos, e não de todos (Mt 26. 28). A obra de Cristo justifica muitos e não todos (Is 53. 11). Portanto, Deus escolheu indivíduos sim para a salvação em Cristo.Sendo assim, conclamo todo o povo de Deus para que prove os espíritos, porque existem muitos hereges e falsos mestres ensinando doutrinas de homens. Eles têm linguagem cristã, entretanto, substituem a verdade pela mentira. Fique apercebido! Batalhe pela fé que foi entre aos santos. Cuidado com aqueles que deturpam as Escrituras. Ouçamo-lo a voz do Espírito Santo: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8. 30). Amém!