segunda-feira, 20 de outubro de 2008

GLÓRIA E RUÍNA



Glória e Ruína

No filme “Tróia”, Aquiles era um guerreiro ágil, bem treinado, veloz e forte. Destreza, habilidade e disposição eram suas maiores virtudes contra seus inimigos. Para Aquiles, seu inimigo estava fora de si, contudo, seu maior oponente dormia com ele, pois estava dentro de si. Aquiles era um jovem ambicioso, seu sonho era a fama, e a coroa que ele almejava era a glória e o reconhecimento.
A mãe de Aquiles era vidente e vaticinou sua glória e ruína. Para ela, glória e desgraça andavam juntas. Quando Aquiles foi contar que havia recebido um convite para unir-se ao rei da Grécia para pelejar contra Tróia, sua mãe lhe falou sobre duas possibilidades: “se você se casar terá filhos e viverá uma vida tranqüila, mas se for para a guerra obterá fama e glória. Você será lembrado por toda a história, mas morrerá em combate”. Aquiles não quis a simplicidade da vida, constituir família ou viver sem ser reconhecido, pois seu coração estava dominado pelo desejo de glória e poder.
A história, tanto bíblica quanto secular, registra que muitos homens foram coroados de glória. Também salienta que, para alguns homens, ela foi um laço, uma armadilha, uma ruína. Isso porque, glória e ruína andam lado a lado. Elas caminham numa pista de mão dupla.
O que separa a glória da ruína é uma linha tênue. Não é nada fácil lidar com a glória, pois a mesma é sinônimo de poder e nem todos estão habilitados para conviver com ele. É conhecido o adágio que diz: “todo homem quer ser rei, todo rei quer ser deus...” A glória, para algumas pessoas, é o trampolim para a queda.
Não existe nada de errado com a glória, isso porque é Deus quem a concede aos seres humanos, pois é Ele quem faz um pastor de ovelhas tornar-se rei. Só Ele permite que homens e mulheres sejam exaltados.
O problema não é o sucesso, a fama, o poder ou a glória, o problema são os homens. Nós, seres humanos, não sabemos conviver com a glória, e quando isso acontece, então, a ruína é quase sempre inevitável.
Mas, existe um caminho para se evitar a ruína. Qual seria ele? Já que a glória vem de Deus, devolva-a para Ele. Devemos tributar nosso sucesso e glória a Deus. Precisamos imperativamente reconhecer que tudo vem Dele. “Riquezas e gloria vêm de ti [...] contigo está o engrandecer e a tudo dar força. [...] Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos” (1Cr 29. 12, 14). Esta era a convicção e o modo de agir do rei Davi, e deve ser a postura e atitude de todos os homens, especialmente do povo do pacto.
Se você já alcançou ou está prestes a alcançar o sucesso, o poder, o prestígio, a fama e consequentemente a glória, reconheça que tudo foi concedido por Deus. Não fique com a glória para você, devolva-a Ele. Soli Deo Glória

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Plantio de Igrejas uma Obra Divina com a Instrumentalidade Humana


Nos dias atuais muito se fala sobre a necessidade de crescimento de igrejas, plantação de igrejas, avanço do evangelho. As prateleiras das livrarias evangélicas do mundo inteiro provavelmente têm um livro sobre qualquer um desses temas que estão intrinsecamente ligados.
Ainda que várias pessoas se posicionem sobre o que elas pensam sobre o tema plantio de igrejas, não se deve acatar o que se é dito sem uma análise bíblico-teológica do que se está sendo dito. Impreterivelmente a pessoa que busca se familiarizar com o assunto de plantio de igrejas, deve partir da bíblia para chegar as suas conclusões, a despeito até mesmo dos resultados que a proposta diz que se venha obter, ou inclusive no gabarito da pessoa que está falando acerca desse assunto. E é baseado nisso que se segue a proposta de se pensar menos em estratégias e pensar mais em vidas. Não que as mesmas não sejam válidas, pois são, conquanto há uma busca frenética nos métodos de alguns líderes evangélicos e pouca importância sobre as vidas que serão salvas.
Deve-se pensar menos em encher igrejas e mais em esvaziar o inferno. Normalmente não se pensa no indivíduo, mas no coletivo; não se pensa em uma alma que poderá ser salva, mas na igreja que será plantada. Não que a segunda proposta seja errada, o errado é a motivação do coração corrupto do ser humano, que pensa no status de ser considerado como um plantador de igrejas, ao invés de se pensar na alma que está indo para o inferno e que precisa dele para ouvir a mensagem que pode desviá-lo desse caminho. Talvez essa seja a razão da quantidade ínfima de pastores que se dispõem a abrir novos campos, a saber, a falta de status imediato.
Por isso, o plantio de igrejas não pode, nem deve ser definido em termos de treinamento e habilidade, mas sim pelo poder e desejo de Deus em salvar vidas. Cristo não visou o coletivo, mas o indivíduo que compõe o coletivo. Se fizermos assim, pensaremos mais no próximo do que nos resultados, ou seja, em nós mesmos, e conseqüentemente os resultados virão.
Ainda diante dessa dificuldade hodierna, além de se pensar nos resultados, pensa-se que os mesmos devam ser imediatos. O despautério da ideologia dos resultados tem feito com que a igreja cresça, mas não de forma sadia. Diante dessa realidade Bill Hybels e a associação Willow Creek, conhecida e reconhecida mundialmente pelos resultados que alcançaram, reconhece que na proposta de trazer os homens à Cristo, eles falharam, pois deveriam ter ensinado-os a ler suas bíblias entre os cultos, bem como praticar suas disciplinas espirituais de forma individual.
A proposta deste artigo não é ligar a idéia de que para um plantio de uma igreja sadia, a mesma não deva crescer, ou que cresça a passos lentos, mas é de que o plantio de uma igreja sadia não visa o crescimento sem uma fidelidade às Escrituras.
Qual a proposta então para que uma igreja possa ser plantada e de forma sadia? Primeiramente, a propagação do evangelho deve fluir de forma abundante. Os membros devem se envolver nessa missão também, todos devem se imbuir dessa responsabilidade, desde a criança ao idoso. Fazendo assim, as pessoas virão a Cristo. Depois disso, um acompanhamento espiritual deve ser estabelecido pelos líderes da igreja local.
Se a proposta da igreja for essa, a saber, todos os membros de uma comunidade local envolvidos na missão da propagação do evangelho, o mundo será permeado pela proclamação da Palavra do Senhor, conseqüentemente virão as conversões, que por sua vez levará a organização de igrejas locais. Destarte, diante do exposto é mister se concluir que o plantio de igrejas sadias é uma obra divina com a instrumentalidade humana.
Rev. Danilo Alves

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Mundo dos Homens

O Mundo dos Homens

O Salmo 116 é belíssimo. Ele é um Salmo de ações de graças pelas inúmeras respostas às orações do salmista, bem como pelos vários livramentos. O versículo mais conhecido dele é o doze. Porém, quero destacar a expressão do verso nove, que diz: “Andarei na presença do SENHOR, na terra dos viventes”. Vamos considerar a priori, a declaração: “terra dos viventes”, a qual chamarei de agora em diante de “mundo dos homens”. Nele temos história para contar. Nele fazemos história e posteriormente viramos história.
“No mundo dos homens” experimentamos toda sorte de experiências. Nele somos circunstancialmente cercados pelos laços de morte. Não raras vezes somos dominados por angústias, as quais nos sufocam, apoderam-se de nós, e nos atrofiam e nos tiram o fôlego. Ah! Na “terra dos viventes” tropeçamos e caímos em profundas tristezas, e tripulações, e porque não dizer, em agudas depressões. Há choro, desânimo, enfraquecimento, abatimento, frustrações, decepções e falta de esperança. A prostração parece inevitável.
“No mundo dos homens”, fé e aflição se misturam. Perturbação e mentira andam lado a lado. O conflito existencial existe em toda em qualquer situação, em todos os aspectos e dimensões. A crise se instala a todo o momento, em todos os homens: brancos e negros, pobres e ricos, analfabetos e intelectuais. É uma verdadeira complexidade, entre fé e desespero.
Mas, nem tudo é ruim no mundo dos homens. Estamos em nosso mundo, em nosso planeta. Somos gente, não somos alienígenas, somos seres humanos, caídos é verdade. Por isso, existe essa miscelânea de fé e tormenta. De convicção e incerteza. De sofreguidão e expectativa. De amor e ódio. De voz de súplica e cânticos de louvor.
Contudo, diante de tudo isso é importantíssimo frisa que, “no mundo dos homens” somos assistidos pelo Deus Vivo. Somos contemplados pelo Deus compassivo e misericordioso. Ele ouve a voz do aflito e abatido. Ele se inclina para ouvir nossas súplicas.
A intervenção de Deus é totalmente possível no mundo dos homens. O salmista afirma que a experimentou: “[...] e ele me salvou. Pois livraste da morte a minha alma, das lagrimas, os meus olhos, da queda os meus pés. [...] quebraste as minhas cadeias” (116. 6, 8, 16). Mesmo em face das turbulências enfrentadas ou vividas no mundo dos homens, o conselho é: “Volta, minha alma, ao teu sossego, pois o SENHOR tem sido generoso para contigo” (116. 7).
Por fim, no mundo dos homens é importante reafirmar as convicções, tomar decisões e renovar os votos. Quanto às convicções, diz o salmista: “[...] invocá-lo-ei enquanto eu viver. [...] e invocarei o nome do SENHOR” (Sl 116. 2, 13, 17). Já com respeito às decisões, nós as fazemos o tempo todo. Mas, a mais importante é esta: “Andarei na presença do SENHOR, na terra dos viventes” (116. 9). Nenhuma outra é mais admirável do que esta. Finalmente, os votos são importantíssimos. Embora a palavra tenha sido esvaziada e desgastada ao longo dos anos, no entanto, é mister recobrar o verdadeiro sentido dos votos. O salmista assume esta postura ao afirmar: “Cumprirei os meus votos ao SENHOR, na presença de todo o seu povo” (Sl 116. 14, 18).
Qual é a sua situação hoje no mundo dos homens? Você está cercado? Aflito? Perturbado? Angustiado? Atribulado? Triste? Sejam quais forem as suas crises, Deus pode revertê-las. Ele pode tornar vales áridos em mananciais. Porém, você precisa invocá-lo. Foi isso que o salmista fez por ocasião de sua crise: “Então, invocarei o nome do SENHOR: Ó SENHOR, livra-me a alma” (116. 4). No mundo dos homens Deus pode intervir. Ele se importa conosco. No mundo dos homens vivemos e morremos, mas nele também experimentamos o milagre da salvação e do livramento de Deus.