quinta-feira, 14 de junho de 2012

PERDÃO, O REMÉDIO PARA A ALMA ENFERMA


PERDÃO, O REMÉDIO PARA A ALMA ENFERMA

            Muitas pessoas sofrem de patologias psicossomáticas. As causas dessas enfermidades são  de diversas naturezas. Várias doenças psicossomáticas são tratáveis por meio de terapias e medicamentos. Porém, há uma que não é tratável por meio desses instrumentos. Trata-se da amargura, do coração ferido e da alma dilacerada. Nossa alma é rápida e pródiga em registrar ofensas. As palavras duras e ríspidas, os maus tratos, as grosserias são como vírus intrusos, os quais ficam alojados no arquivo da nossa memória e provocam danos terríveis. Essas são as principais causas desse mal que infectam e assolam grandes e pequenos, mulheres e homens, ricos e pobres, indoutos e intelectuais, crentes e ateus.

            A amargura é uma doença da alma. Ela é gerada por meio daquilo que vemos e sentimos, mas, principalmente por meio daquilo que ouvimos. Os seus efeitos são letais. Uma pessoa contaminada por essa epidemia perde o brilho dos olhos, o encanto pela vida e a alegria de se relacionar com o outro. Ela interrompe o caminho da comunhão, sufoca a paz e atrofia a afetividade harmônica. Uma alma infectada pela raiz de amargura, dificilmente será curada por intermédio das terapias, dos remédios laboratoriais ou outro método. Entretanto, duas coisas são vitais para que a cura ocorra de modo eficaz, a saber: o diagnóstico e a decisão.

O primeiro passo para que a cura aconteça é o diagnóstico, porém, o exame para constatar que a alma está doente não é feito pelo outro nem pelo laboratório, mas por você mesmo. Você deve olhar a ferida no seu coração. Você pode fazer uma radiografia da sua alma. Se o exame não for alterado pelo engano do seu coração, se você não for míope nem ignorar o tumor alojado no centro do seu ser, então perceberá com clareza a raiz infectante da amargura. Ninguém melhor do você para conhecer a sua real situação quanto à doença letal da amargura.

Quando isso acontece, então, você deve dar o segundo passo: a decisão. Somente você pode tomar a decisão de ingerir o remédio.  De sorte que, existe solução e esperança para você que está com a alma enferma. O medicamento para a alma doente chama-se perdão. O perdão enquanto remédio é carregado no alforje da decisão. Ninguém pode tomá-lo em seu lugar. Portanto, o antídoto para tal enfermidade é uma questão de decisão. A decisão de perdoar é o tônico para a alma enferma. 

            Aquele, porém, que examina a sua alma e descobre a enfermidade, mas endurece a cerviz, para não perdoar, jamais receberá a restauração. A falta de perdão quase sempre é fruto da dureza de coração. Além disso, o autossenso de “justiça” vingativa que impera sobre a nossa razão, impede-nos de conceder perdão àquele que nos feriu. A decisão irremediável de não perdoar é um forte sinal de que existe um desejo velado no nosso coração por vingança. . A Lei de Talião está mais presente nos nossos relacionamentos do que eu e você imaginamos. Quem não perdoa quer que o outro pague na mesma moeda.

Todavia é importante compreender que a falta de perdão traz consequências bilaterais. A falta de perdão adoece o ofendido. Uma pessoa cuja ofensa feriu a sua alma, tem grande probabilidade de ficar com amargurado e desenvolver doenças emocionais. A falta de perdão infecciona as emoções do ofendido e acorrenta o agressor. Enquanto o ofendido fica enfermo, o ofensor fica amarrado. Por isso, o perdão na relação interpessoal traz também resultado duplo. Ele é bom para quem recebe, mas é excelente para quem o libera. O perdão é maravilhoso para o agressor, porém é fantástico para o agredido. Aquele que perdoa desata as amarras do outro, ingere o remédio de que tanto precisa e expele o veneno mortífero da alma. Um é posto em liberdade, o outro é sarado da mágoa. O ofensor fica livre, o ofendido curado.  

            O perdão, entretanto, é mais que remédio, é um imperativo divino. A palavra de Deus ordena-nos a perdoar uns aos outros. Quem recebe o perdão divino tem todas as razões para perdoar. A causa motivadora para perdoar é a compreensão do perdão que recebemos de Deus. Ele perdoou todos os nossos pecados, logo, somos encorajados a perdoar também aquele que nos ofendeu. O parâmetro para perdoar é o perdão de Deus. Eis a instrução do Espírito Santo por meio da Escritura: “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl 3. 13). Max Lucado afirma que: “Pessoas perdoadas perdoam. Os que recebem misericórdia são misericordiosos”. Perdão não é uma questão só de exame, decisão e cura, mas de mandamento. Não é uma questão de opção, mas de dever. Aqueles que recebem o perdão de Deus, mas que se negam a concedê-lo, por certo enfrentarão dias maus e difíceis. Os verdugos da alma, certamente, os atormentarão dia e noite. A causa é múltipla, os danos são duplos e as feridas inumeráveis. Porém, o remédio é único. O perdão é o remédio para a cura da alma enferma. Não protele a cura da sua alma. Decida perdoar. Isso será bom para o outro, mas, com certeza, será melhor para você. E lembre-se, você só faz aquilo que decide fazer.

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