segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

PERDÃO: O EXERCÍCIO DA MISERICÓRDIA

PERDÃO: O EXERCÍCIO DA MISERICÓRDIA

C. S. Lwis disse que: “É fácil falar de perdão até ter alguém para perdoar”. De fato não é fácil perdoar, mas também não é fácil pedir perdão. Sabe por quê? Porque quem pede ou suplica o perdão ao ofendido tem que se humilhar. Quem pede perdão reconhece que ofendeu e falhou com o outro. Já quem libera o perdão está abrindo mão de exercer a justiça. Quem perdoa concede e exerce a misericórdia. Quem perdoa abre mão de cobrar a dívida. Portanto, o perdão é o exercício da misericórdia ao invés da execução da justiça. O perdão é sem dúvida alguma uma das mais nobres atitudes do ser humano para com o seu próximo. Ele é a encarnação da graça em nós. O perdão é uma evidência de que somos novas criaturas e que habita em nós a divina semente. Por meio do exercício do perdão compreendemos com mais clareza e precisão a nossa relação intrínseca com o Pai celestial. Tendo em vista que Deus o Pai é um ser perdoador, logo também somos encorajados e capacitados por Ele a conceder o perdão (Ef 2. 10).

O perdão é a oportunidade de tratar o outro da forma como fomos tratados por Deus. Deus perdoou toda a nossa dívida. O seu perdão para conosco foi pleno. Se você já recebeu o perdão de Deus, então perdoe também aquele que lhe ofendeu. O perdão nos dá a chance de executar o que recebemos. Quem foi contemplado com misericórdia, também deve concedê-la. O perdão não é uma questão matemática, contabilizando dádivas, mas de conduta e atitude, ou seja, devemos perdoar sempre. Ele é a prática da compaixão e da misericórdia. O perdão é o movimento da graça ilimitada. Todo aquele que compreendeu o perdão de Deus está apto a perdoar. Fritiz Rienecker um exímio comentarista afirma que: “Quem não se torna misericordioso com a misericórdia de Deus e não aprende a perdoar a partir do perdão de Deus, desperdiçou a graça de Deus”. Quem age deste modo está pisoteando a graça de Deus. Quem vive desta forma está negando aquilo que recebeu.

Assim como Deus nos perdoou devemos perdoar também. O perdão de Deus é a causa motivadora para perdoar. Ele nos perdoou de modo pleno, do mesmo modo devemos fazê-lo. Na verdade, o modo de perdoar deve ter sempre como base o perdão de Deus. Paulo diz: “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl 3. 13). A base pela qual precisamos balizar nossa vida no exercício do perdão é o perdão de Cristo. Portanto, o perdão deve ser de todo o coração, do fundo da alma e das entranhas do ser. O verdadeiro perdão precisa ser liberado do íntimo do ser. Ele não é uma fabricação externa, fruto da engenhosidade humana, mas da graça divina. Ele é a concepção da graça. O perdão do íntimo é um resultado da gestação da misericórdia. Ele é fruto da dinâmica da graça de Deus em nós.

Na oração do pai nosso somos instruídos a orar: “... perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mt 6. 12). Já nesse caso bem que poderíamos orar da seguinte forma: “Pai, tu perdoastes a minha culpa toda, portanto quero perdoar também aquele que me ofendeu”. O princípio bíblico acentua que aquele que recebeu graça também deve conceder graça. A lei ensina que aquele que foi contemplado com misericórdia também deve exercê-la para com o outro. Portanto, falar de perdão é uma necessidade, mas além de falar dele é preciso praticá-lo. Se a luz da sua consciência acendeu em sua mente adormecida, então vá imediatamente até a pessoa que lhe ofendeu e peça perdão. E você que foi ofendido pratique a misericórdia. Não deixe para depois. Ouça a voz do Espírito Santo de Deus. Obedeça-o! Cumpra o mandamento de Deus. O perdão é uma ordem do Senhor. O perdão é o exercício da misericórdia recebida.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

ENFRENTANDO AS CRISES DENTRO DO PROJETO DE DEUS

ENFRENTANDO AS CRISES DENTRO DO PROJETO DE DEUS
As crises fazem parte da história da humanidade. Elas surgem tanto para o crente fiel quanto para o iníquo, homem que não teme a Deus. Na verdade, elas não fazem acepção de pessoas. Todas as faixas etárias e classes sociais estão na “mira” ou sujeitas às crises. Assim como o sol nasce sobre maus e bons e as chuvas vem sobre justos e injustos, da mesma forma, as crises chegam para todos. O ensino bíblico é fértil acerca de homens e mulheres fiéis a Deus, mas que enfrentaram crises duríssimas e agudas. Vários servos do Senhor foram assaltados por elas. O patriarca Abraão as enfrentou. Logo após o seu chamado, Abraão deparou-se com uma crise generalizada (Gn 12. 1-10). Seu filho, Isaque, também não escapou das crises (Gn 26) e tantos outros. Portanto, equivocam-se aqueles que ensinam sobre a ausência de crise na vida cristã.
As crises aparecem de diversas formas, em vários tamanhos e com dimensões diversificadas. Existem muitas maneiras de enfrentar as crises. Podemos enfrentá-las com os olhos fitos no Senhor, ou fazer de conta que elas não existem, ou ainda nos esquivarmos delas, mas nem sempre é possível tomar a terceira decisão. Vejamos à luz do texto da Escritura como enfrentar as crises dentro do projeto de Deus.
1) Obedeça aquilo que Deus ordenou (Gn 26. 1- 3, 6).
“Sobrevindo fome à terra, além da primeira havida nos dias de Abraão, foi Isaque a Gerar, avistar-se com Abimeleque, rei dos filisteus. Apareceu-lhe o SENHOR e disse: Não desças ao Egito. Fica na terra que eu te disser; habita nela ...” (Gn 26. 1-3a). O texto continua e diz: “Isaque, pois, ficou em Gerar” (Gn 26. 6). A luz do Livro de Gênesis esta era a segunda crise mundial. A crise era assoladora. A fome imperava por todos os lados. A morte era vista à distancia. O solo rachado pela sequidão da estiagem de chuva estava permeado de esqueletos de animais. Em meio à crise Deus apareceu a Isaque e lhe falou. Na verdade, Deus lhe deu uma ordem: “Não desças ao Egito. Fica na terra que eu te disser; habita nela ...”. Isaque ficou onde Deus mandou.
Quantas vezes tomamos decisões em nosso coração sem antes conhecer ou consultar a vontade de Deus. Os atalhos não se coadunam com o projeto do Senhor para nossa vida. As crises colocam em nosso caminho muitas encruzilhadas, mas nestas situações o melhor caminho a seguir não é o largo. As crises devem ser enfrentadas dentro do plano de Deus. A obediência é o caminho da vitória em tempos de crises. O coração de Isaque já havia tomado uma decisão, descer para o Egito, mas o decreto de Deus o fez mudar de rota.
2) Confie naquilo que Deus prometeu (Gn 26. 2-4).
“Apareceu-lhe o SENHOR e disse: Não desças ao Egito. Fica na terra que eu te disser; habita nela, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e a tua descendência darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a Abraão, teu Pai. Multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e lhe darei todas estas terras” (Gn 26. 1-3). As crises têm funções pedagógicas. Elas forjam o nosso caráter. Elas robustecem a nossa fé. Mas, também elas não duram para sempre. Deus deu uma ordem imperativa a Isaque, mas também lhe fez uma promessa gloriosa. Isaque tinha a crise em sua volta, por outro lado, ele tinha a promessa de Deus.
As crises nos amedrontam, roubam nossa paz, ofuscam a nossa esperança e abalam a nossa fé. O herdeiro da promessa estava diante de um dilema. Ele tinha a opção de descer para o Egito sem a presença de Deus ou ficar na terra da crise com a presença e a promessa do Deus que não pode mentir. As crises devem ser enfrentadas com confiança naquilo que Deus prometeu. Isaque obedeceu a determinação de Deus. Isaque confiou na promessa de Deus. Por causa disso, ele tornou-se um homem bem sucedido no meio do deserto. Na mesma terra em que havia crise, Isaque semeou. Na mesma terra que imperava a morte, Isaque colheu em abundância. Na mesma terra que havia crise, a mão do Senhor o abençoava. Porque Isaque obedeceu a voz de Deus, o Senhor o abençoou (Gn 26. 12). Porque Isaque confiou na promessa de Deus, Deus o fez um homem próspero e rico (Gn 26. 13).
A crise enfrentada por Isaque era de fome. Talvez a sua crise seja outra. Quem a sua crise seja no casamento. A sua vida conjugal está a beira de um colapso. Talvez a sua crise seja física. A sua saúde está fragilizada por alguma enfermidade incurável aos olhos humanos. Há tantos tipos de crises que poderíamos destacar, mas ninguém melhor do que você para destacar com precisão a sua realidade. Seja qual for a sua crise, não negocie a suas convicções, não negue a pessoa de Deus e sua Palavra e continue crendo em suas promessas. Deus quer que os seus filhos e filhas o obedeçam e creiam nas suas promessas. A vitória em tempos de crises passa pela via da obediência e da fé. Enfrente suas crises dentro do projeto de Deus. Obedeça ao Senhor e confie em suas fiéis promessas. Ah! Saiba de uma coisa: as crises não duram para sempre. Elas tem começo, mas também tem um fim.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

2009 - 365 DIAS


2009 – 365 DIAS

Hoje é o quinto dia do novo ano. O último dia do ano de 2009 foi dia 31/12, quinta-feira. Em 2009 falei muita coisa e realizei tantas outras. Como pastor subalterno do Grande Pastor, Cristo Jesus, também ouvi muita coisa, mas uma frase me chamou atenção: “Muita gente fica o ano inteiro sem sentir dor”. Ouvi esta frase de uma pessoa muito querida, uma serva do Senhor, mulher crente e piedosa. Disse ainda que: “muitas pessoas passam o ano todo sem ter problemas, mas são extremamente ingratas”. Na ocasião em que ela me disse estas palavras estava hospitalizada pela segunda vez. Na primeira ficou hospitalizada durante quinze dias por causa de uma cirurgia, a qual provocou complicações seriíssimas. Já na segunda, após uns trinta dias da primeira internação, ela sofreu um choque anafilático e sofreu risco de morte. No entanto, mesmo em face das circunstâncias adversas que enfrentou esta mulher se mostrou uma pessoa grata a Deus por tudo quanto fizera durante o ano de 2009.Sabe de uma coisa: isso me faz refletir acerca dos benéficos que nos foram concedidos pelo SENHOR durante os 365 dias do ano de 2009. Com certeza foram muitos! Bênçãos inumeráveis! A Escritura nos ensina sobre a importância de rememoramos os benefícios de Deus outorgados a cada um de nós.O Salmo 103 é um exemplo clássico do que estamos pontuando. O Salmo 103 começa com um solilóquio. O salmista inicia este Salmo com uma conversa consigo mesmo. Davi estava preocupado de que a sua alma viesse a se esquecer dos benefícios recebidos. O ser humano tem memória curta. Além disso, temos dificuldade de nos esquecermos de coisas ruins do passado, mas temos facilidade de nos esquecermos de coisas boas. Os malfazejos são como “fantasmas” em nosso encalço. Eles são como a sombra: se damos um passo adiante lá estão eles, se damos meia volta lá estão eles, se vamos para a direta lá estão eles, se vamos para a direita lá estão eles novamente. Os traumas, as frustrações e as decepções são como nosso “Calcanhar de Aquiles”. Mas, as benesses quase sempre caem no esquecimento.Por isso, ainda é tempo de parar e refletir acerca das muitas bênçãos que o Pai Celestial nos doou na pessoa do seu Filho bendito no ano de 2009. Foram 365 dias sustentados, guardados e preservados pelo Senhor nosso Deus. A providência divina manifestou-se todos os dias sobre nós, nossa família e igreja. Não temos condições de contá-las todas, pois a nossa memória é curta e muitas delas não nos lembramos mais.Contudo, o tempo exige que paremos para agradecer ao Senhor. É tempo de agradecer! Uma pessoa ingrata se torna insensível e endurecida. O coração fica árido. A alma perde o encanto e o entusiasmo para com Deus. O reconhecimento das bênçãos de ontem gera expectativas para as bênçãos de amanhã. Portanto, paremos diante do espelho da reflexão e convoquemos o nosso ser a bendizer ao SENHOR. Ah! Como precisamos fazer como o salmista: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR e não te esqueças de nem um só de seus benefícios. Bendizei ao SENHOR, vós, todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR” (Sl 103. 1, 2, 22).