segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Oração de um servo preste a ordenação



Esta oração fora feita por um pastor por ocasião da iminência da sua ordenação ao sagrado ministério.

Senhor Deus, criador dos céus e da terra e de tudo que neles há. Está chegando o dia da minha ordenação, faltam exatamente nove dias, próximo está, mas já teve momentos em que pensei que não iria chegar, pois as lutas de seminarista pareciam nublar esse dia, mas nunca deixei de acreditar que a benfazeja mão do Senhor me concederia a honra desse momento. O assalto da dúvida não estava em saber se o Senhor poderia me conceder tal privilégio, mas em saber se a minha pusilanimidade de homem me faria desistir dessa jornada. Afinal de contas, foram doze anos desde o dia em que senti a vocação para o ministério até esse dia que se chama hoje, não foram poucas as lutas e somente o Senhor as conhece todas, e hoje sei que cada uma delas foram necessárias para a minha preparação, haja vista, a ciência que tenho de que as que estão por vir serão bem maiores. Graças lhe dou por me sustentar até aqui.
Meu Deus, se na reunião do presbitério me perguntassem se estou preparado para o sagrado ministério, talvez ficasse hesitado para dar a resposta, se fosse há algum tempo atrás eu ficaria excitado em dizer sim. Mas, com um conhecimento um pouco maior do que é realmente o ministério pastoral e os desafios que estão pela frente eu diria que não sei se estou realmente preparado. Mas que meu coração ansiava pela obra do Senhor, por pregar a mensagem de salvação ao homem perdido; de aconselhar ao casal que não vê mais esperanças no seu relacionamento; de passar horas e horas no hospital ao lado do próximo adoentado; de mostrar o Seu amor Senhor e consolar a família enlutada pela perda de um ente querido dizendo-lhes que chegaria o dia em que não haveria mais dor e que o seu familiar iria ressuscitar no grande dia da volta de Seu Filho, o Salvador; de celebrar religiosamente o enlaço matrimonial de um jovem casal dando-lhes além das primeiras instruções da vida marital, a benção do Senhor, dos altos céus sobre aquelas duas vidas que a partir de então seriam apenas uma; de batizar a criança e dizer para que todos ouçam que o Senhor a ama e que a ela pertence o reino dos céus e que os pais dela têm a responsabilidade de ensiná-la o caminho desse reino, e não quero só dizer isso Deus, mas caminhar junto com eles como o bom pastor que conhece e conduz as suas ovelhas; de batizar e conduzir o recém convertido a fazer a pública profissão de fé, mostrando-lhe as verdades desse sublime privilégio de ser chamado filho do Senhor Deus; de celebrar a Santa Ceia na casa do Senhor e mostrar que esse sacramento é o meio de graça visível, a maior expressão do Seu amor para como o homem perdido, pois revela a morte substitutiva e vicária de Jesus em nosso favor; de ajudar e levar a igreja a ajudar os pobres, as viúvas; de mostrar para a igreja que ela deve investir em missões, no reino dos céus, pois muitos são os que estão espalhados e que andam perdidos sem alento e Cristo no coração; de no momento da disciplina de um irmão faltoso, não acusá-lo, nem muito menos condená-lo, mas procurar fazê-lo como um discípulo de Cristo, mostrando-lhe que as penas que porventura possam advir por causa do seu erro, são na verdade a expressão do amor de Deus através dos oficiais que o Senhor mesmo estabeleceu na igreja para a salvação da alma dele, afinal de contas à correção faz parte do amor, já diz o ditado: “quem ama corrige”; ainda, diria que o meu coração anseia sim, por aqueles atos do ministério que outros colegas diriam que não são tão convidativos e tão atrativos para eles, como por exemplo, as assembléias da igreja, a reunião do conselho, do presbitério, sínodo e supremo concílio, pois a minha visão é que o bom governo da Sua igreja Senhor está intrinsecamente ligado a tais reuniões e por mais demoradas e cansativas que possam ser, o bom obreiro saberá que são imprescindíveis as decisões que ali serão tomadas para o crescimento sadio do corpo de Cristo; e por fim, terei não só felicidade, mas muito amor e disposição em ajudar aquele que diante de mim falar que se sente chamado para o ministério, lembrarei desse dia, lembrarei dessa oração, lembrarei da minha vida e de maneira nenhuma encolherei minha mão, de maneira nenhuma direi: “ele precisa aprender a duras penas o que é ser ministro do evangelho”, não Deus! isso não pode acontecer no Seu Reino, ajuda-me Senhor, a lançar para longe de mim, tal conjectura. Ajuda-me a ajudá-lo para que ele seja mais um no combate contra o mal, que se chama pecado e para que o Seu nome seja glorificado na nossa vida e no nosso ministério.
Senhor dos céus, diante desse anseio, alguém poderia perguntar “mas depois de todo esse seu desejo de servir a Deus na Sua obra, como você pode dizer que não sabe se está preparado?” Se porventura alguém fizer essa pergunta Deus é porque ela só olhou a parte do ministério que todos querem passar, mas se porventura esta pessoa se lembrar do que realmente envolve ser ministro do evangelho, ela se lembrará que Jesus disse em Lc 9.23: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” Logo, se evangelho é sinônimo de cruz e o é, a vida do ministro do evangelho requer sofrimento, perda, abnegação, pois esse é o significado da cruz. Ele poderia ainda arrazoar, mas esse mandamento do Senhor Jesus é para todos os seus seguidores; eu não terei como descordar dele, haja vista, o Senhor ter me dado à oportunidade de ter estudado no seminário para saber interpretar um texto da Sua Palavra e saber que ele está certo sobre o texto, mas não poderei ficar calado e não dizer para ele que o ministro do evangelho tem uma responsabilidade bem maior, pois ele foi comissionado para viver do evangelho, sua vida é integral ao ministério, além do mais, ele como líder deve ser o primeiro a dar o exemplo, pois assim saberão que a sua prédica sobre a Palavra do Senhor não soa a farisaísmo, pois ele vive o que prega. É como o menino que se colocou a observar o pastor que colocava uma cerca em torno da sua casa. E o menino observava o pastor dar as marteladas no prego para firmar a madeira da cerca e de repente o pastor perguntou ao menino que observava atentamente:
- Quer aprender é?
- Não, disse o menino, estou é observando para saber o que o pastor vai gritar depois que der a martelada no dedo.
Os outros esperam pelo nosso exemplo.
Se a pessoa que me indaga não se der por convencida, terei que ir a um texto mais profundo e mais intenso sobre o assunto. E esse texto que agora escolhi é bem mais enfático, pois o contexto aponta para o apóstolo Paulo repreendendo e corrigindo alguns da igreja de Corinto que estavam se achando os super-espirituais, os maiorais por causa do evangelho. E é nesse ponto que o apóstolo mostra exatamente o contrário, pois ele fala que os apóstolos, ou seja, os “maiores ” líderes da época, sofreram muitíssimo. Será que estou preparado para isso Senhor? Pois quando leio esse texto sinto vergonha de querer ser um pastor, será que estou pronto? Diz o texto que até à presente hora, eles sofriam fome, e sede, e nudez; e eram esbofeteados, e não tinham morada certa, e se afadigavam, trabalhavam com as próprias mãos. Quando eram injuriados, bendiziam; quando perseguidos, suportavam; quando caluniados, procuravam conciliação; até aquele momento, eram considerados como lixo do mundo, escória de todos (I Co 4.11-13). Sei que ser um bom ministro do evangelho envolve sofrer fome algumas vezes, sede, não ter dinheiro para comprar roupas ou ter aquilo que queria, ser esbofeteado, às vezes não fisicamente, às vezes sim, mas hoje em dia sempre somos esbofeteados metaforicamente, quando um irmão que tanto amamos, que tanto ajudamos é o primeiro a dizer que não nos quer mais na igreja, ou como um presbítero em disponibilidade disse a um colega de ministério que não queria nem vê-lo morando na mesma cidade que ele. Se não temos morada certa Senhor, estamos vivendo em um tempo em que até estão vetando a nossa morada em alguns lugares, como em outra ocasião disseram para um pastor que ele não poderia morar em uma casa com interfone, pois era muito sofisticado e nenhum membro da igreja daquele pastor tinha tal privilégio.
Qual a qualificação para saber se estou preparado ou não Senhor? Ah! Agora entendi. Agora estou começando a enxergar e não precisei nada mais nada menos do que a própria Escritura Sagrada, dentro do próprio texto que acabei de citar. Agora eu sei muito bem, o que há de me qualificar como preparado é exatamente essa parte do texto que diz que quando somos injuriados, bendizemos; que quando somos perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação. Então Senhor, quando alguém me ofender por causa do Evangelho, eu devo bendizer e glorificar ao Senhor com as minhas palavras e atitudes. Quando alguém me perseguir por causa do evangelho eu devo ter um espírito de resignação ante as adversidades e quando alguém falar mal de mim para os outros, ao invés de eu ficar triste, chateado ou até virar o rosto a essa pessoa, eu devo amá-la e procurar viver bem com essa pessoa. Ah! Agora entendo Senhor. E também sei porque isso há de me qualificar para o ministério, pois as primeiras partes desses dois versos, a saber, injuriados, perseguidos e caluniados, serão uma constância na minha vida, ajuda-me Senhor a ser qualificado e que sejam constantes também na minha vida ministerial, o bendizer, o suportar e o conciliar, e que eu nunca me esqueça de Seu Filho, o meu Salvador, que foi e é o maior exemplo de sofrimento sem reclamações nem animosidade, mas que foi obediente ao Senhor até a morte e morte de cruz. Senhor, Faz-me um ministro do evangelho preparado e preparado para ser nas palavras do apóstolo Paulo, lixo do mundo, escória de todos. Se hei de me alegrar, ou me gloriar Senhor, gloriar-me-ei nisso. O que eu peço ao Senhor é auxílio para essas horas.
Sei que no conselho do apóstolo Paulo a um jovem pastor chamado Timóteo, o Senhor inspirou seu servo a dizer que: nos últimos dias, sobreviriam tempos difíceis, pois os homens seriam egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. E que destes ele deveria fugir. II Tm 3.1-5.
Também serei um jovem pastor, por isso, aplico essas palavras a mim mesmo. Pois é exatamente isso que vejo no nosso mundo hodierno, ser pastor no século XXI é ser pastor em um tempo muito difícil, sei que em outros tempos também o era, mas o amor de muitos tem se esfriado e tudo falado pelo apóstolo tem sido a marca do nosso mundo pós-moderno. E uma das provas dessa verdade, a saber, que ser pastor nos dias de hoje é tarefa difícil, reside no fato da pluralidade da verdade. O que outrora não existia. E isso não desorientava tanto as pessoas a cerca daquilo que é correto. Hoje as pessoas praticam seus erros e dizem que é normal, que na concepção deles é correto. Exemplificando isso, a cultura de hoje diz que sexo antes do casamento é totalmente aceitável e permitido. A televisão só propaga a promiscuidade, mulheres semi-nuas, quando não nuas. A criação das nossas crianças nas escolas e nos centros urbanos é de que só uma pessoa que realiza tais coisas é realizada, é completa, é experiente. Ah Senhor! Ajuda-me a andar na contra cultura do mundo, mesmo sendo tão jovem. A psicologia trata o pecado como uma falta de se suprir as carências humanas.
O que dizer das igrejas, até elas foram afetadas, hoje são muitas as que não pregam mais a cruz Cristo, mas a satisfação pessoal. O slogan delas é Jesus Cristo é o Senhor, mas são os homens que mandam e desmandam, tem aparência de que estão debaixo do senhorio de Cristo, mas são, nas Palavras do apóstolo, egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Eles prometem coisas absurdas pensando só no lucro e na quantidade de pessoas que podem ir aos seus templos. A teologia da prosperidade é horrenda porque não glorifica a Deus, mas aos bens. Faço minhas as palavras de um pregador norte americano chamado John Piper. Eu sinto ódio por essa teologia.
Por saber, que o Senhor me chamou para ser um porta voz da sua mensagem é que eu abomino tais atitudes de certas pessoas que levantam a faixa com o nome do Seu Filho amado Jesus Cristo, mas que só pensam no dinheiro. Como certa cantora evangélica que não quis se hospedar no melhor hotel de uma cidade no interior do Tocantins, por considerar aquela cidade muito pobre para ela, então foi para outra cidade e só a noite é que ela apareceu para “dar seu show gospel”. Em qualquer que seja a língua, tais pessoas que se dizem cristãs nunca deveriam usar a palavra evangelho até o momento em que elas entenderem o que isso significa, pois evangelho é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Destarte, evangelho é amor para com todos e não para com o dinheiro. Essas pessoas por terem acesso à publicidade deveriam honrar o nome de Jesus e não envergonhar, deveriam até mesmo dependendo da ocasião e do local não cobrar nada para ir cantar, mas ir aos longínquos lugares da terra para pregar a Palavra de Deus e realizar um grande impacto nos lugares onde elas passarem.
É por isso Senhor que as igrejas estão cheias de “louvorzão” e vazias do Senhor. Letras sem a cruz, mas cheias de satisfação pessoal. Vazias de louvor ao Senhor, mas cheias de emocionalismo. Palavras como “apaixonado por Jesus”, “Chuva de Deus nesse lugar”, “vem me queimar Senhor”, são clichês evangélicos, são vazias de tudo e cheias de nada. Se o rítimo e a musicalidade agrada, se me tocou e me fez chorar, vamos cantar nas nossas igrejas. Esse é o pensamento do cristão moderno. Ajuda-me Senhor a ser um pastor que pensa diferente daqueles que pensam assim, não quero ser só um pastor que pensa diferente de outros só por pensar, mas que prefere pensar conforme o Senhor diz como a igreja deve ser.
O pastor contemporâneo parece um animador de auditório, após a sua prédica, quando as pessoas saem dos templos depois de vinte minutos de pura gargalhada, elas dizem: “o culto hoje foi uma bênção”. Quando não é o próprio pregador que pergunta ao irmão, ou ao visitante: “gostou do culto?” Como se o culto fosse simplesmente para satisfação pessoal. Com essa pergunta a pessoa pode até responder: “Ah claro, hoje cantou aquela música que eu gosto tanto e o senhor pastor, só falou vinte minutos, foi muito bom”. Esse é o motivo de haver tantas igrejas evangélicas espalhadas pelo Brasil, igrejas para todos os gostos. O censo religioso no Brasil mudou, aumentando em favor dos protestantes, mas no país mesmo não há muita mudança, a falta de moralidade continua a mesma.
Se o pastor não prega a palavra de Deus, o evangelho, quem diria os membros da igreja do nosso século. Passam horas em frente da televisão e o seu vizinho nem sabe que ele é crente, se sabe é porque o viu saindo com a bíblia, mas não porque falou de Cristo a ele. Já houve tempos em que os folhetos eram usados com freqüência para evangelização, hoje em dia, como desculpas para não se evangelizar, os crentes dizem: “esse método de evangelização é retrógrado”, mas eles mesmos não propõem um outro método e quando propõem não é sadio. Ajuda-me Senhor, para que eu não seja reprovado naquilo que condeno.
E é pensando nisso que agora Senhor, passo a rogar por mim, diante da dificuldade exposta não teria como me escusar da responsabilidade que tenho ante toda essa dificuldade que encontrarei pela frente e é por isso que peço forças para a caminha cristã. não permita ó Deus que eu venha negligenciar a oração e a leitura da Sua Palavra. Que eu venha me aproximar do Senhor sempre, quer na bonança, quer na agitação das lutas da vida. Quer na tribulação, quer na falta da mesma. Que a Palavra do Senhor encha o meu coração antes da minha preparação para pregar para a igreja. Impeça ó Deus que eu me torne um religioso e trate o ministério pastoral como uma profissão qualquer, visando só o dinheiro. Salve-me Senhor Deus de tratar as pessoas diferentemente, preferindo umas por terem uma condição financeira melhor, visitando assim, mais aqueles que tem uma posição social melhor do que as outras. Que eu sempre procure dar o melhor de mim e que na minha preparação para o serviço do Senhor eu procure não o melhor para mim, mas para Sua obra ó Deus. Toda vez que eu for pregar, que eu não me ensoberbeça a ponto de achar que não preciso mais estudar o texto das Sagradas Escrituras, que o tempo de ministério não me deixe cair nesse erro de achar que já sei o suficiente. E que o Senhor me conceda condições, se assim for da Sua vontade, de avançar um pouco mais nos estudos, procurando ser mais qualificado para lhe servir com o dom do ensino que o Senhor me deste. Sonho em ter algumas coisas nessa vida, mas que meus sonhos nunca estejam entre mim e o Senhor. Mas que sejam sempre para Sua Glória. Ensina-me Senhor a ter auto-disciplina, para que possa lhe servir melhor, como um bom soldado que sabe que deve agradar quem o arregimentou.
Por fim Senhor, deixei para pedir por último por aquilo que o Senhor me concedeu de mais precioso nesse mundo, a saber, a minha família. Certa feita, eu ouvi de um colega de ministério uma frase que ficou guardada no meu coração e na minha memória. Ouvi que o pastor deveria pastorear sua família mais do que a igreja, pois a igreja pode ser que Deus nos tire dela e traga outro pastor para ela, mas a minha família somente eu posso pastorear do jeito que ela precisa e do jeito que Senhor quer. E é por isso Deus que eu rogo pela minha esposa, tão querida e tão amada por mim e que resolveu me seguir nessa jornada para qual o Senhor me comissionou, a vida de pastor não é nada fácil, e ela simplesmente escolheu ficar comigo e me acompanhar aonde quer que eu vá, muito obrigado Senhor pela minha esposa, enquanto as palavras fluíam para descrever e pedir pelas outras coisas, agora elas me faltam ó Deus, não porque já estou cansado de falar, ou porque os outros pedidos eram mais simples, ou até mesmo mais importantes, não é isso; muito pelo contrário esse sim é o pedido mais importante e esse era o momento em que eu ansiava a chegar na minha oração, a saber, o momento de intercessão por aqueles que o Senhor me deste, faltam-me as palavras, por não encontrar palavras a altura para agradecer pelo presente mais sublime, mais formidável que o Senhor poderia me conceder depois da salvação.
Fortaleça-me Deus para que eu a ame, para que cumpra os meus votos matrimoniais dia após dia, para que se possível for eu conceda a ela tudo que ela tiver necessidade. Que eu me sinta atraído somente por ela, que meus olhos se voltem somente para ela e que a ela eu seja sempre fiel. Que nos momentos de egoísmo que nós seres humanos sempre temos, que eu não me esqueça o quanto ela tem cuidado de mim e o quanto ela tem sido uma esposa devotada e que isso esmague o meu egoísmo e eu dedique-lhe tempo, atenção e conceda-lhe tudo o que ela precisar.
Hoje a minha esposa é a minha família, mas chegará o dia em que os nossos filhos virão, segundo a boa vontade do Senhor, e se unirão a nós para nos completar familiarmente falando. E é também por eles que eu rogo Senhor. A aptidão inata de paternidade que o Senhor Deus colocou no coração do ser humano é extraordinária e é baseada nela que eu sei que minha proteção nunca será de mais e essa oração já faz parte dessa proteção, assim como Jó orava pelos seus filhos de madrugada, quando estes se banqueteavam, buscando assim favor da parte do Senhor por eles (Jó 1.4-5), de semelhante forma eu faço, sei que eles ainda nem existem, e é no exemplo do Senhor Jesus, meu mestre que eu me estribo, pois Ele orou ao Senhor por aqueles que ainda haveriam de crer nEle por intermédio da Sua Palavra (Jo 17.20). A minha oração Deus é que acima de tudo, antes de qualquer dádiva que o Senhor possa conceder a eles, que eles possam ser genuinamente salvos e remidos pelo sangue de Jesus. As outras coisas são nada se comparada a essa, nem mesmo a saúde, bons estudos, um bom trabalho se compara com a vida eterna que só o Senhor pode dar. Um pai poderia aspirar pela saúde, estudo e emprego dos filhos, e eu aspiro por todas essas coisas, mas é pela salvação deles que eu rogo, sei que eles estão dentro da aliança pactual que nós temos por intermédio de Cristo, sei que eles já pertencem ao Senhor antes mesmo da fundação do mundo, mas quantos são até mesmo os filhos de pastores que receberam as instruções do evangelho desde a terna infância, mas que depois se desviram dos caminhos do Senhor, e isso não porque o Senhor falhou, mas porque falharam em algum quesito os pais, e eu Senhor estou suscetível aos vários erros que um pai pode cometer na criação dos filhos. Que o Senhor me dê forças para ler a bíblia com eles, orar com eles, ensiná-los que fomos criados para glória do Senhor e tantas outras coisas mais concernentes ao seu reino ó Deus.
Não peço isso, mas se porventura a graça do Senhor me favorecer a oportunidade de estar vivo para ver meus netos, que eu tenha o privilégio de ver a mesma dádiva dos meus filhos neles e em tantos outros da minha posteridade.
E, Senhor Bendito, na minha velhice, se aprouver a sua infinita graça que eu viva até esse dia, quando eu já estiver cansado e as forças me faltarem, que eu possa olhar para trás e repetir as palavras do apóstolo Paulo em II Tm 4.7: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”. Mas até chegar esse dia Senhor, creio que há muito por fazer, afinal de contas, hoje é que é o dia da minha ordenação, hoje é que é o começo. Guarda-me Senhor das minhas próprias paixões, dos meus defeitos e do mundo para que eu possa chegar até o fim da minha carreira cristã e ministerial, para Glória do Senhor. E tudo isso eu lhe peço Senhor, baseado nos méritos e no nome do Seu Filho amado, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, segundo a Sua santa e perfeita vontade.
Amém e Amém. 02/02/08 Danilo Alves Rocha.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Achei...! O Livro da Lei!


Achei...! O Livro da Lei!

Em 31 de Outubro de 2008 a Reforma Protestante completou 491 anos. Já faz quase meio milênio que o povo achou o Livro das boas novas da salvação pela graça em Cristo Jesus, o Salvador de todo aquele que Nele crer.
Nos dias do monge alemão, Martinho Lutero, o povo estava deixando de comer para “comprar” o perdão de Deus, pois as Escrituras havia se perdido nos mosteiros. O povo estava perdido em densas trevas, manipulado pelo clero e explorado pelos mercadejadores da palavra, contudo, Lutero encontrou o Livro da Lei para alegria dos fiéis e desespero da clerezia. A luz da aurora raiou de novo.
A redescoberta das Escrituras foi uma novidade sem igual para Lutero, bem como para tantos outros que percorreram o mesmo caminho de Sola Scriptura ou somente a Escritura, por causa disso, houve genuína transformação de vida e também da sociedade onde a Escritura foi achada.
Com isso, aprendemos duas coisas: primeiro, não é possível efetuar mudança de indivíduos sem as Escrituras; segundo, não adianta reformar a estrutura, a instituição, sem, contudo reformar o coração, à vontade, o intelecto e o sentimento, pois a reforma vai além da arquitetura de um “templo”. Vale dizer que a reforma foi possível porque Escritura foi encontrada, achada, descoberta, manuseada e aplicada à realidade do povo de modo fiel.
A Bíblia relata que o Rei Josias empreendeu todos os esforços para restaurar o templo. Levantou recursos, mobilizou pessoas, delegou tarefas e confiou o trabalho a homens especialistas naquilo que faziam. Esse monarca tinha zelo para com a casa de Deus. Entretanto, a reforma efetuada por ele era puramente estética e arquitetônica, ela visava o edifício, mas não as vidas das pessoas, isso porque o instrumento de mudança de gente havia se perdido. Ele não conhecia o Livro da Lei. O Livro da Lei estava perdido no meio dos escombros. Entretanto, quando o Livro foi achado, Josias foi tomado de medo e pavor, a ponto de se humilhar, as palavras do Livro da Lei o perturbaram muito (2Rs 22. 3-20); pois tamanha era a distância entre a vontade de Deus e o modo de vida do povo.
O profeta Oséias vaticinou que o povo é destruído por falta de conhecimento (Os 4. 12). A história nos dá conta que algumas vezes o povo pereceu porque os ensinadores rejeitaram o conhecimento revelado de Deus, outras vezes isso aconteceu porque o Livro da Lei caiu no esquecimento. Ainda hoje acontece, por falta de interesse primaz do povo.
Imagine você num Iate de luxo em alto mar sem a bússola, sem veículo de comunicação, totalmente a deriva das ondas bravias e furiosas. O aniquilamento seria quase que inevitável, pois você não teria como mudar a rota, se desviar dos rochedos e dos iceberg’s. No entanto, se a bússola for encontrada a viagem será segura, pois a direção a ser seguida será norteada por esse pequeno instrumento.
Agora, pense num “templo” cheio de pompa, conforto, arquitetura moderna, abarrotado de gente, mas sem a Escritura Sagrada. As crendices, os amuletos, a manipulação, a falsa adoração, o falso ensino, as heresias e o misticismo serão dominantes no seio da comunidade e a escuridão reinará absolutamente, visto que “cada um fará o que achar mais conveniente” (Jz 17. 6; 21. 25). Mas, se a Escritura for achada, o povo conhecerá a doutrina do Senhor, o falso ensino será refutado, haverá adoração em espírito e em verdade, a luz irá escorraçar com as trevas, o reino de Deus dominará os homens com toda sua pujança e poder.
Todos nós precisamos prosseguir em conhecer ao SENHOR nosso DEUS, mas, para isso precisamos achar o Livro da Lei. Não existe conhecimento salvífico sem a revelação escrita de Deus, sem as Escrituras.
Procure Livro da lei. Ache-o! Examine-o para conhecer a pessoa de Cristo, o plano de redenção e a salvação que há no glorioso Salvador Jesus, por meio da fé, e receba o perdão gratuito de Deus.
Examina-o! Examina-o!..., O Livro da Lei! E tenha vida plena, em abundância em Cristo Jesus.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

GLÓRIA E RUÍNA



Glória e Ruína

No filme “Tróia”, Aquiles era um guerreiro ágil, bem treinado, veloz e forte. Destreza, habilidade e disposição eram suas maiores virtudes contra seus inimigos. Para Aquiles, seu inimigo estava fora de si, contudo, seu maior oponente dormia com ele, pois estava dentro de si. Aquiles era um jovem ambicioso, seu sonho era a fama, e a coroa que ele almejava era a glória e o reconhecimento.
A mãe de Aquiles era vidente e vaticinou sua glória e ruína. Para ela, glória e desgraça andavam juntas. Quando Aquiles foi contar que havia recebido um convite para unir-se ao rei da Grécia para pelejar contra Tróia, sua mãe lhe falou sobre duas possibilidades: “se você se casar terá filhos e viverá uma vida tranqüila, mas se for para a guerra obterá fama e glória. Você será lembrado por toda a história, mas morrerá em combate”. Aquiles não quis a simplicidade da vida, constituir família ou viver sem ser reconhecido, pois seu coração estava dominado pelo desejo de glória e poder.
A história, tanto bíblica quanto secular, registra que muitos homens foram coroados de glória. Também salienta que, para alguns homens, ela foi um laço, uma armadilha, uma ruína. Isso porque, glória e ruína andam lado a lado. Elas caminham numa pista de mão dupla.
O que separa a glória da ruína é uma linha tênue. Não é nada fácil lidar com a glória, pois a mesma é sinônimo de poder e nem todos estão habilitados para conviver com ele. É conhecido o adágio que diz: “todo homem quer ser rei, todo rei quer ser deus...” A glória, para algumas pessoas, é o trampolim para a queda.
Não existe nada de errado com a glória, isso porque é Deus quem a concede aos seres humanos, pois é Ele quem faz um pastor de ovelhas tornar-se rei. Só Ele permite que homens e mulheres sejam exaltados.
O problema não é o sucesso, a fama, o poder ou a glória, o problema são os homens. Nós, seres humanos, não sabemos conviver com a glória, e quando isso acontece, então, a ruína é quase sempre inevitável.
Mas, existe um caminho para se evitar a ruína. Qual seria ele? Já que a glória vem de Deus, devolva-a para Ele. Devemos tributar nosso sucesso e glória a Deus. Precisamos imperativamente reconhecer que tudo vem Dele. “Riquezas e gloria vêm de ti [...] contigo está o engrandecer e a tudo dar força. [...] Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos” (1Cr 29. 12, 14). Esta era a convicção e o modo de agir do rei Davi, e deve ser a postura e atitude de todos os homens, especialmente do povo do pacto.
Se você já alcançou ou está prestes a alcançar o sucesso, o poder, o prestígio, a fama e consequentemente a glória, reconheça que tudo foi concedido por Deus. Não fique com a glória para você, devolva-a Ele. Soli Deo Glória

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Plantio de Igrejas uma Obra Divina com a Instrumentalidade Humana


Nos dias atuais muito se fala sobre a necessidade de crescimento de igrejas, plantação de igrejas, avanço do evangelho. As prateleiras das livrarias evangélicas do mundo inteiro provavelmente têm um livro sobre qualquer um desses temas que estão intrinsecamente ligados.
Ainda que várias pessoas se posicionem sobre o que elas pensam sobre o tema plantio de igrejas, não se deve acatar o que se é dito sem uma análise bíblico-teológica do que se está sendo dito. Impreterivelmente a pessoa que busca se familiarizar com o assunto de plantio de igrejas, deve partir da bíblia para chegar as suas conclusões, a despeito até mesmo dos resultados que a proposta diz que se venha obter, ou inclusive no gabarito da pessoa que está falando acerca desse assunto. E é baseado nisso que se segue a proposta de se pensar menos em estratégias e pensar mais em vidas. Não que as mesmas não sejam válidas, pois são, conquanto há uma busca frenética nos métodos de alguns líderes evangélicos e pouca importância sobre as vidas que serão salvas.
Deve-se pensar menos em encher igrejas e mais em esvaziar o inferno. Normalmente não se pensa no indivíduo, mas no coletivo; não se pensa em uma alma que poderá ser salva, mas na igreja que será plantada. Não que a segunda proposta seja errada, o errado é a motivação do coração corrupto do ser humano, que pensa no status de ser considerado como um plantador de igrejas, ao invés de se pensar na alma que está indo para o inferno e que precisa dele para ouvir a mensagem que pode desviá-lo desse caminho. Talvez essa seja a razão da quantidade ínfima de pastores que se dispõem a abrir novos campos, a saber, a falta de status imediato.
Por isso, o plantio de igrejas não pode, nem deve ser definido em termos de treinamento e habilidade, mas sim pelo poder e desejo de Deus em salvar vidas. Cristo não visou o coletivo, mas o indivíduo que compõe o coletivo. Se fizermos assim, pensaremos mais no próximo do que nos resultados, ou seja, em nós mesmos, e conseqüentemente os resultados virão.
Ainda diante dessa dificuldade hodierna, além de se pensar nos resultados, pensa-se que os mesmos devam ser imediatos. O despautério da ideologia dos resultados tem feito com que a igreja cresça, mas não de forma sadia. Diante dessa realidade Bill Hybels e a associação Willow Creek, conhecida e reconhecida mundialmente pelos resultados que alcançaram, reconhece que na proposta de trazer os homens à Cristo, eles falharam, pois deveriam ter ensinado-os a ler suas bíblias entre os cultos, bem como praticar suas disciplinas espirituais de forma individual.
A proposta deste artigo não é ligar a idéia de que para um plantio de uma igreja sadia, a mesma não deva crescer, ou que cresça a passos lentos, mas é de que o plantio de uma igreja sadia não visa o crescimento sem uma fidelidade às Escrituras.
Qual a proposta então para que uma igreja possa ser plantada e de forma sadia? Primeiramente, a propagação do evangelho deve fluir de forma abundante. Os membros devem se envolver nessa missão também, todos devem se imbuir dessa responsabilidade, desde a criança ao idoso. Fazendo assim, as pessoas virão a Cristo. Depois disso, um acompanhamento espiritual deve ser estabelecido pelos líderes da igreja local.
Se a proposta da igreja for essa, a saber, todos os membros de uma comunidade local envolvidos na missão da propagação do evangelho, o mundo será permeado pela proclamação da Palavra do Senhor, conseqüentemente virão as conversões, que por sua vez levará a organização de igrejas locais. Destarte, diante do exposto é mister se concluir que o plantio de igrejas sadias é uma obra divina com a instrumentalidade humana.
Rev. Danilo Alves

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Mundo dos Homens

O Mundo dos Homens

O Salmo 116 é belíssimo. Ele é um Salmo de ações de graças pelas inúmeras respostas às orações do salmista, bem como pelos vários livramentos. O versículo mais conhecido dele é o doze. Porém, quero destacar a expressão do verso nove, que diz: “Andarei na presença do SENHOR, na terra dos viventes”. Vamos considerar a priori, a declaração: “terra dos viventes”, a qual chamarei de agora em diante de “mundo dos homens”. Nele temos história para contar. Nele fazemos história e posteriormente viramos história.
“No mundo dos homens” experimentamos toda sorte de experiências. Nele somos circunstancialmente cercados pelos laços de morte. Não raras vezes somos dominados por angústias, as quais nos sufocam, apoderam-se de nós, e nos atrofiam e nos tiram o fôlego. Ah! Na “terra dos viventes” tropeçamos e caímos em profundas tristezas, e tripulações, e porque não dizer, em agudas depressões. Há choro, desânimo, enfraquecimento, abatimento, frustrações, decepções e falta de esperança. A prostração parece inevitável.
“No mundo dos homens”, fé e aflição se misturam. Perturbação e mentira andam lado a lado. O conflito existencial existe em toda em qualquer situação, em todos os aspectos e dimensões. A crise se instala a todo o momento, em todos os homens: brancos e negros, pobres e ricos, analfabetos e intelectuais. É uma verdadeira complexidade, entre fé e desespero.
Mas, nem tudo é ruim no mundo dos homens. Estamos em nosso mundo, em nosso planeta. Somos gente, não somos alienígenas, somos seres humanos, caídos é verdade. Por isso, existe essa miscelânea de fé e tormenta. De convicção e incerteza. De sofreguidão e expectativa. De amor e ódio. De voz de súplica e cânticos de louvor.
Contudo, diante de tudo isso é importantíssimo frisa que, “no mundo dos homens” somos assistidos pelo Deus Vivo. Somos contemplados pelo Deus compassivo e misericordioso. Ele ouve a voz do aflito e abatido. Ele se inclina para ouvir nossas súplicas.
A intervenção de Deus é totalmente possível no mundo dos homens. O salmista afirma que a experimentou: “[...] e ele me salvou. Pois livraste da morte a minha alma, das lagrimas, os meus olhos, da queda os meus pés. [...] quebraste as minhas cadeias” (116. 6, 8, 16). Mesmo em face das turbulências enfrentadas ou vividas no mundo dos homens, o conselho é: “Volta, minha alma, ao teu sossego, pois o SENHOR tem sido generoso para contigo” (116. 7).
Por fim, no mundo dos homens é importante reafirmar as convicções, tomar decisões e renovar os votos. Quanto às convicções, diz o salmista: “[...] invocá-lo-ei enquanto eu viver. [...] e invocarei o nome do SENHOR” (Sl 116. 2, 13, 17). Já com respeito às decisões, nós as fazemos o tempo todo. Mas, a mais importante é esta: “Andarei na presença do SENHOR, na terra dos viventes” (116. 9). Nenhuma outra é mais admirável do que esta. Finalmente, os votos são importantíssimos. Embora a palavra tenha sido esvaziada e desgastada ao longo dos anos, no entanto, é mister recobrar o verdadeiro sentido dos votos. O salmista assume esta postura ao afirmar: “Cumprirei os meus votos ao SENHOR, na presença de todo o seu povo” (Sl 116. 14, 18).
Qual é a sua situação hoje no mundo dos homens? Você está cercado? Aflito? Perturbado? Angustiado? Atribulado? Triste? Sejam quais forem as suas crises, Deus pode revertê-las. Ele pode tornar vales áridos em mananciais. Porém, você precisa invocá-lo. Foi isso que o salmista fez por ocasião de sua crise: “Então, invocarei o nome do SENHOR: Ó SENHOR, livra-me a alma” (116. 4). No mundo dos homens Deus pode intervir. Ele se importa conosco. No mundo dos homens vivemos e morremos, mas nele também experimentamos o milagre da salvação e do livramento de Deus.

sábado, 20 de setembro de 2008

A adoração e os ídolos

A Adoração e os Ídolos

Já fora dito que nas tribos mais longínquas, onde não há educação, saúde e saneamento etc.; há, no entanto, adoração às divindades. O homem é ávido por adoração. E neste afã de cultuar um ser superior ou a divindade, ele cria os seus deuses, bem como o modo de adorá-lo, com base em suas próprias compreensões e imaginações humanas.
Mas, no que diz respeito ao povo do Deus Vivo, não é assim, ou pelo menos não deveria ser. O povo de Deus não deve criar ídolos conforme suas elucubrações, porque o Deus Vivo e Verdadeiro é Espírito santíssimo e puríssimo (J 4. 23-24). Ele não se permite ser moldado pelas mãos dos homens (Ex 20. 4-5). Ele não permite adulteração daquilo que já foi estabelecido para adorá-lo. O modo de serví-lo foi estabelecido por Ele mesmo.
Contudo, volta e meia criamos ídolos e poluímos a adoração. Substituímos o Deus Criador pela criatura. Trocamos o intangível pelo tangível e visível. Muitas vezes, de várias maneiras a igreja se porta como os hebreus ao pé do Monte Sinai e a liderança como Arão (Ex 32. 1-10). Na subida do Sinai, lugar em que Deus se revelou, comunicou com o povo e legislou; ali mesmo, o povo construiu o seu ídolo e adorou o bezerro de ouro. De maneira “irrefletida” e frenética o povo pressionou o sumo sarcedote para que ele construísse um Ídolo, algo que fosse palpável e visível. O sacerdote não suportou a pressão do povo. Daí Arão passou de mediador a santeiro. De sumo sarcedote a escultor de imagem.
Em nosso contexto não é diferente no que tange a coerção do povo. A pressão em nossa geração é como uma grande avalanche. O povo é pagão por natureza, e, portanto não suporta o culto estabelecido por Deus. O povo é insaciável por objetos de culto e os líderes são como Arão. Todos nós temos um pouquinho do sumo sacerdote Arão. Para segurar e atrair o povo criamos mecanismos e artifícios. É verdade, que os ídolos os quais temos edificado hoje, nem sempre são estatuetas, nem sempre são esculturas, mas eles estão entre nós, com toda sua pompa e sutileza.
Nossas igrejas estão impregnadas dos “bezerros” modernos para entreter o auditório, a música, a arte, os amuletos condenados pelos profetas e apóstolos e também pelos reformadores estão nos suntuosos templos de adoração e estão competindo com a adoração genuína. E neste caso, o foco não é o Deus transcendente e imanente, mas todos estes artifícios visuais, palpáveis e sensitíveis. Os objetos outrora condenados e repudiados pelo Senhor dos Exércitos tem substituído a adoração ao Deus vivo.
Todavia, os profetas de Deus precisam tocar a trombeta e conclamar o povo a retornar a verdadeira adoração, onde o objeto de culto é o Deus Eterno, o mediador é Cristo Jesus, homem, o santificador é o Espírito Santo e o modo de adorá-lo está estabelecido em sua santíssima Palavra. É tempo da adoração em espírito e em verdade. Portanto, abandonemos os ídolos e voltemo-nos a verdadeira adoração, cujo Deus Trino seja foco do nosso culto. Amém.